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Saneamento básico global e os desafios do Brasil para solucionar esse problema

O saneamento básico, assim como o acesso à água potável segura e limpa, foi reconhecido pela ONU, em 2010, como um direito humano. Sua importância no mundo está fortemente relacionada à saúde pública, além de ser um fator essencial para que um país possa ser chamado de desenvolvido. Segundo o relatório do World Health Organization, cerca de 280.000 mortes são causadas pelo saneamento inadequado, que ainda pode estar ligado a doenças como cólera, diarreia, disenteria, hepatite A, febre tifoide, poliomielite, além de contribuir para a desnutrição.

Por décadas, o descarte seguro e limpo de urina e fezes humanas e práticas de higiene relacionadas foram amplamente negligenciados como uma questão de desenvolvimento sustentável. Segundo o relatório da UNDP, em 2016, cerca de uma a cada três pessoas em todo o mundo não tinham saneamento básico, ou quando tinham, era de baixa qualidade.

No entanto, a preocupação em oferecer um saneamento básico de qualidade foi avançando rapidamente nos últimos anos, se tornando um dos desafios de desenvolvimento mais importantes do século 21, e por uma boa razão: 2,5 bilhões de pessoas em todo o mundo ainda não têm acesso a um banheiro, de acordo com dados da UNICEF e da OMS. Esse número inclui 600 milhões de pessoas que dividem um banheiro ou latrina com outras famílias e 892 milhões de pessoas – principalmente em áreas rurais – que defecam a céu aberto.

Em 2015, uma reunião de líderes mundiais na sede da ONU, em Nova York, criou um plano de ação para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que as pessoas alcancem a paz e a prosperidade. Conhecida como Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), o documento contém um conjunto com 17 objetivos para os países alcançarem nos próximos 15 anos, incluindo o de “garantir a disponibilidade e a gestão sustentável de água e saneamento para todos”. Segundo pesquisas, ainda na maioria dos países em desenvolvimento, o avanço na área de saneamento básico é muito lento. Isto leva a crer que a cobertura universal não será alcançada até 2030, como previsto.



Apesar do desafio, muitos são os países que se destacam com um sistema de saneamento básico sustentável e de qualidade. O primeiro ministro da Índia, Narendra Modi, lançou a Missão Swachh Bharat (Missão Índia Limpa), em 2014, com o objetivo de construir banheiros em todos os lares do país até 2019, fazendo progressos impressionantes com o seu planejamento. Já o presidente Xi Jinping propôs uma “revolução higiênica” nas áreas rurais da China, em 2015. A partir de então, a CNTA (Administração Nacional de Turismo da China) iniciou rapidamente uma “revolução higiênica no turismo” e grandes esforços foram envidados para promover o melhor saneamento.

A gestão de recursos hídricos da França

Quem também tem sido um exemplo nessa questão, além de estar trabalhando arduamente para que o saneamento e a água potável sejam direitos acessíveis a todos, é a França. Em 2017, a Agência Francesa de Desenvolvimento aprovou, a pedido do Ministério de Relações Exteriores da Europa, € 1,2 bilhão em financiamento para o setor de água e saneamento em países estrangeiros – o dobro do valor aprovado em 2014.

Mas a preocupação do país francês não é algo recente. A França tem sido a pioneira no gerenciamento de bacias hidrográficas há 50 anos. Esse sistema é baseado em dois pilares: gestão integrada de recursos hídricos em escala de bacia hidrográfica (introduzida pela primeira legislação das águas em 1964) e modelo de parceria público-privada de água e serviços de saneamento locais que se estendiam das áreas urbanas para as rurais durante os anos 60 e 70. Em 2014, foi registrado que 98% da população francesa tem acesso à água potável, um aumento de 280.000 pessoas em relação a 2012.

Desafio para o Brasil

No Brasil, o saneamento básico é um direito assegurado pela Constituição e definido pela Lei nº. 11.445/2007 como o conjunto dos serviços, infraestrutura e instalações operacionais de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, drenagem urbana, manejos de resíduos sólidos e de águas pluviais.

Apesar de possuir imensas reservas d’água, estimadas em 20% do total de reservas do planeta, o governo brasileiro ainda vê na distribuição do saneamento básico um grande desafio. Segundo os últimos dados do SNIS (Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento) referentes a 2016, 16,7%, da população (35 milhões de brasileiros) ainda não tem acesso à água potável. Com relação à coleta de esgoto, apenas 51,9% da população tem acesso ao serviço.

Entre os 5.570 municípios brasileiros, 61,8% não possuem política de saneamento básico, segundo a pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em 2018.

O ranking tem sido fundamental para revelar a lentidão com que avançam os serviços de água, coleta e tratamento de esgotos no Brasil, e constatou que a tão necessária universalização dos serviços não acontecerá sem um maior engajamento dos prestadores e do comprometimento dos governos federal, estadual e municipal.

A CNI defende que o Brasil importe exemplos internacionais de sucesso para melhorias em seus índices de saneamento. Embora não haja um modelo único ideal, pois, os países analisados mostram soluções heterogêneas para o desenvolvimento deste problema, há três ingredientes fundamentais para o bom funcionamento do setor: planejamento, regulação e gestão.

Um estudo que analisou a fundo as lições no setor em sete países (Alemanha, Canadá, Chile, Estados Unidos, Japão, México e Inglaterra) constata, no contexto brasileiro, que uma maior participação do setor privado seria fator chave para as melhorias desses três aspectos.

Para o Doutor em Geografia Humana da USP, Wagner Costa Ribeiro, a questão do saneamento básico ainda é muito grave no Brasil, a pauta é pouco debatida pelo governo e não há busca por soluções mais ágeis nem investimentos em tecnologias que possam auxiliar neste processo, mesmo que o saneamento básico em larga escala seja capaz de gerar empregos e ainda retornar cerca de 4 vezes mais o valor que foi investido, segundo um estudo da OMS em 2014.

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RV e Healthcare: como a realidade virtual pode ajudar no tratamento e diagnóstico de doenças

Nos últimos dois anos, houve uma explosão nas aplicações de realidade virtual (RV) principalmente para uso na área da saúde, em busca de diagnósticos e tratamentos para inúmeras doenças, em especial câncer, Alzheimer e até depressão.


Por que essa tecnologia significa um grande salto para o healthcare e está entre as tendências de 2019? Isso é simples de explicar. A Realidade Virtual tem a capacidade de transportá-lo para dentro do corpo humano – para acessar e visualizar áreas que, de outra forma, seriam impossíveis de alcançar.


Atualmente, os estudantes de medicina costumam aprender por meio de cadáveres, que são difíceis de se obter e (obviamente) não reagem da mesma maneira que um paciente vivo. Com a RV, no entanto, é possível visualizar detalhes minuciosos de qualquer parte do corpo em uma impressionante reconstrução CGI de 360 ° e criar cenários de treinamento que reproduzem procedimentos cirúrgicos comuns.


É fato que isso acaba beneficiando tantos os médicos quanto os pacientes, especialmente na execução de procedimentos perigosos, como cirurgia cardíaca, por exemplo. Porém, o que torna essa tecnologia tão especial é que ela também está sendo estudada e testada para diagnosticar e tratar doenças psicológicas e degenerativas, como o Alzheimer.


A realidade virtual no diagnóstico de Alzheimer


Segundo um relatório anual sobre o Alzheimer, o número de pessoas afetadas com a doença tende a aumentar cada vez mais com o passar dos anos. Até 2025, estima-se que o número de pessoas com 65 anos ou mais com Alzheimer poderá atingir 7,1 milhões – um aumento de quase 29% em relação aos 5,5 milhões afetados em 2018.


Apesar de décadas de pesquisa médica em tratamentos para retardar o curso progressivo da doença ou impedi-la completamente, ainda não se sabe o que faz essas proteínas (que se alojam nas redes neurais do cérebro, causando danos irreparáveis aos bilhões de neurônios que transmitem os sinais elétricos que constroem memórias) se reunirem e, portanto, como remover ou bloqueá-las. E, apesar de o Alzheimer ser a quinta doença que mais mata no mundo, os níveis de financiamento para pesquisas ficaram surpreendentemente atrasados em relação ao câncer e à doença cardiovascular.




Entretanto, cientistas da Universidade Politécnica de Tomsk (TPU) e Siberian State University Medical, na Rússia, descobriram uma maneira de identificar pessoas que podem desenvolver a doença mais tarde, por meio da Realidade Virtual. Até agora, o sistema foi testado em 50 voluntários, tanto pessoas saudáveis quanto aquelas que já foram diagnosticadas com Alzheimer.


Os pesquisadores acreditam que obter o diagnóstico precoce para estes tipos de doença degenerativas, como Parkinson também, pode ser crucial para que, no futuro, o sistema não seja usado apenas para diagnosticar, mas também para o tratamento e reabilitação das mesmas.


Saúde Mental e Terapia Psicológica


A RV também oferece a oportunidade de desenvolver terapias mais personalizadas, especialmente em saúde mental. Ela já está sendo usada para tratar PTSD, fobias e condições psiquiátricas, como transtorno de conversão, e está mostrando excelentes resultados. Uma revisão de estudos publicados recentemente concluiu que a realidade virtual, especialmente quando combinada com outras intervenções psicológicas, mostrou um potencial para uma mudança de comportamento positiva para uma série de condições de saúde mental. À medida que a RV se tornar mais acessível, ajudará a impulsionar seu uso e eficácia como terapia e tratamento.


Ainda não sabemos as capacidades completas de tratamento da RV. Como acontece com qualquer medicamento ou tratamento, a realidade virtual continuará a ser refinada à medida que pesquisadores descobrirem mais sobre ela. Porém, no próximo ano, essa tecnologia tem grandes chances de emergir dos estudos clínicos para suprir essas e outras necessidades. De acordo com este relatório, o mercado global de Heatlhcare por meio da RV deverá crescer 31% até 2023. E 2019 tem tudo para ser o ano em que essa tecnologia mostra ser uma parte essencial da medicina tradicional.

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