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Aplicações práticas e eficientes de Blockchain

Blockchain é uma das tecnologias emergentes que vem ganhando grande destaque no cenário tecnológico mundial. Inicialmente criada para possibilitar transações seguras entre Bitcoins, seu potencial tecnológico vem alcançando outras aplicações que não se restringem às criptomoedas, atraindo o interesse de bancos, empresas e governos.

O grande diferencial dessa tecnologia está no registro criptografado das informações, com impressões digitais que geram uma dinâmica de encadeamento segura e confiável, além de ser baseada em uma estrutura descentralizada e de sempre registrar quaisquer alterações que ocorram na cadeia, tornando as informações trocadas ainda mais seguras. Essas vantagens possibilitam o surgimento de aplicações Blockchain que irão mudar a dinâmica do setor empresarial nos próximos anos.

Confira abaixo algumas delas:

Contratos Inteligentes

Os contratos inteligentes são pequenos programas que automaticamente realizam acordos entre várias partes quando determinadas condições são cumpridas. Como esses miniprogramas são executados em Blockchain, não há intermediários para gerenciar a transação ou cobrar taxas. Assim, aplicações como empréstimos e títulos de propriedade podem ser gerenciados e processados automaticamente, e dados confidenciais como registros médicos podem ser protegidos e acessados somente por certas pessoas sob condições predefinidas.

A plataforma de Internet das Coisas Slock.it, por exemplo, oferece contratos inteligentes para permitir que o cliente alugue, venda ou compartilhe propriedades, sejam elas uma bicicleta ou um apartamento.

Pagamentos e transferências de dinheiro

O envio e o recebimento de pagamentos são as aplicações mais populares de Blockchain atualmente, uma vez que seu início esteve diretamente relacionado com as criptomoedas. Em e-commerces e transferências internacionais, essa tecnologia surge como alternativa aos cartões de crédito e ao PayPal. Com o Blockchain, a transferência de fundos é realizada de forma direta, rápida e segura para qualquer pessoa do mundo a taxas muito baixas. Esta última característica se dá por conta da inexistência de intermediários, o que diminui a transferência de fundos entre bancos e taxas de transações excessivas.



Essa aplicação é muito útil para empresas que tenham funcionários remotos ou estejam envolvidas com o mercado global, contemplando de pequenos empreendedores a grandes empresas e bancos. Empresas como a Abra, a Bitwage e a Coinpip são destaques na realização de transferência de fundos e administração da folha de pagamento por meio de Blockchain. As próximas startups movimentarão ainda mais o setor, fornecendo serviços que possam ser aplicados a muitos aspectos da atividade cotidiana de uma empresa, como corte de custos, aumento da confiança no sistema e simplificação de processos onde há várias partes envolvidas para uma interação específica, contribuindo para a redução de burocracia.

Armazenamento em Nuvem Distribuído

O armazenamento em nuvem será outra aplicação de Blockchain da qual as empresas poderão se beneficiar. A maioria das empresas optam por utilizar os serviços em nuvem oferecidos por grandes nomes, como Amazon ou Google, para armazenamento e acesso de seus dados. Para isso, porém, revelam grande parte de suas informações comerciais. Além disso, esses serviços podem chegar a um alto preço e muitos dos principais provedores ainda se mostram vulneráveis a ataques externos.

Dentro desse contexto, o Blockchain pode ser utilizado pelas empresas proporcionando bancos de dados confiáveis, descentralizados, criptografados e não editáveis. A integração dessa tecnologia para computação em nuvem tornará possível que empresas mantenham vantagens competitivas ao mesmo tempo em que protejam informações valiosas de negócios. A criptografia nativa do Blockchain também pode ser utilizada para a proteção de redes de dispositivos interconectados contra interferência externa.

Segundo a VentureBeatStorj – empresa que utiliza Blockchain para fornecer armazenamento em nuvem acessível, rápido e seguro aos usuários -, em um futuro próximo, essa tecnologia funcionará de modo semelhante à forma como se aluga um quarto no Airbnb. No caso, o aluguel será de espaço em disco, o que poderá gerar receita tanto para grandes empresas como para usuários comuns.

Recursos Humanos

No mercado empresarial, o setor de Recursos Humanos é uma das peças essenciais para uma empresa alcançar sucesso ou fracasso. Entretanto, muitas vezes o setor é criticado pela falta de transparência e confiabilidade. No processo de recrutamento, por exemplo, é comum empresas serem acusadas de ocultarem informações do processo para alavancar posições de terceiros.

Para resolver esse problema, empresas, órgãos governamentais e instituições de ensino poderão fazer uso do Blockchain, fornecendo parte dos dados do candidato para ser armazenada de maneira imutável na rede de blocos. Por exemplo, durante o processo educacional, o desempenho acadêmico será registrado em um ID individual de um aluno, que é então armazenado em Blockchain e permitirá que cada empregador avalie o progresso acadêmico verdadeiro de um candidato. Da mesma forma, empresas terão seus próprios IDs, pelos quais os candidatos poderão acessar informações das mesmas, incluindo taxas de rotatividade de mão de obra e indicadores-chave de desempenho.

Quanto mais empresas e candidatos a emprego optarem por transferir suas informações em redes de Blockchain públicas amplamente acessíveis, mais rápido toda a indústria se beneficiará ao gerar insights reais e tomar melhores decisões de negócio, ao mesmo tempo em que ajudará a solucionar problemas sociais, como diferenças salariais entre homens e mulheres.

Cadeia de Suprimentos

Os mercados estão conectados por meio de rotas de comércio globais cada vez mais robustas, mas o volume total de informações de transporte processadas mostra que existe uma grande disparidade nos dados ao se tentar monitorar a jornada individual de um produto.

A aplicação de Blockchain em uma cadeia de suprimentos poderia resolver esse tipo de problema por meio da criação de um histórico permanente de produto, reduzindo custos, identificando erros humanos e evitando atrasos. Fornecedores e consumidores se beneficiariam, tendo uma maior percepção do processo de fabricação dos produtos que utilizam, por meio do acesso à rede Blockchain, para investigar variáveis como entrega ou manutenção de produtos.

Para certas indústrias em que a alta manutenção de bens na cadeia de suprimentos é especialmente crucial, podemos imaginar como o Blockchain pode intervir para garantir que as metas de qualidade sejam atingidas. Por exemplo, as indústrias de ciências médicas ou aeroespaciais poderiam facilmente utilizar a tecnologia para garantir que as peças e os produtos químicos utilizados em seu trabalho sejam provenientes de uma fonte respeitável e tenham todos os requisitos de armazenamento necessários atendidos até o seu destino final. Provenance e SkuChain são apenas dois exemplos de empresas que estão aplicando Blockchain na cadeia de suprimentos.

Lahis Almeida desenvolvedora de Internet das Coisas na ART IT, especializada em soluções e serviços de TI. Ink. Comunicação

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A luta do século

Mike Tyson foi o mais jovem campeão mundial a conquistar os cinturões das três principais associações de boxe. Obteve 44 nocautes em sua carreira, sendo metade deles no primeiro assalto. O mais rápido aconteceu em 30 segundos. Fulminante.

Esse grandioso e também polêmico boxeador, em uma de suas citações, poderia servir de alerta a corporações, indústrias e setores que acreditam estar seguros diante das transformações tecnológicas que estamos vivendo:

Todos têm um plano até receberem o primeiro soco!

Essa frase caberia como uma luva para os que se julgam estabilizados e protegidos diante da volatilidade e complexidade da nova economia.

Por mais que o mercado esteja se preparando para as transformações próximas, o impacto vai ser bem maior que o esperado. Assim como a potência de um golpe de Tyson.

Peter Diamandis, um dos grandes nomes por trás do avanço das tecnologias exponenciais e reconhecido como um dos arautos da abundância no cenário global, em suas palestras e aparições profetiza algo parecido. No entanto, com um sorriso nos lábios e uma pitada generosa de otimismo:

Se vocês acham que o ritmo de inovação foi rápido nos últimos anos, gostaria de lhes dizer: vocês ainda não viram nada!

Entre a contundência de Tyson e o otimismo de Diamandis, podemos observar que a marcha exponencial das tecnologias é inclemente, para o bem e para o mal; para a destruição e para a criação. Irrefreável. Inexorável.

Agnóstica e impessoal, não beneficiará ou prejudicará um ou outro setor em especial. A transformação digital já não é uma escolha apenas para os players mais ligados à tecnologia ou capricho de líderes visionários. A transformação digital está mudando, e mudará ainda mais, todas as esferas de nossas vidas. É para tudo e para todos, e muito mais impactante do que se imagina.

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A história recente nos conta que Nokia e Kodak receberam golpes ao estilo de Tyson. Instagram vem enxergando a abundância de Diamandis. Estima-se que valha mais de US$ 100 bilhões. A Blockbuster, também nocauteada, mal teve tempo de ver a Netflix se esquivando das antigas culturas organizacionais e processos burocráticos. Como um ágil peso-mosca, num piscar de olhos, passou de locadora de filme à produtora de conteúdo de sucesso mundial. Com o apoio da tecnologia, está vencendo a luta no entendimento das reais necessidades de seus usuários e vem abalando todo o setor de entretenimento. Continua desferindo jabs rápidos em oponentes que não acreditaram em seu crescimento e impacto. Afinal, pensaram que a mudança ainda estava distante.

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Estamos no mundo mais desafiador que já vivemos em toda a nossa história. As manifestações tecnológicas estão ficando cada vez mais rápidas, mais baratas e menores. Estão mudando as formas como você trabalha em seu escritório ou em seu home office ou em co-working. A tecnologia muda a forma como você consome e produz conteúdo. Como você se comunica e se relaciona com seus clientes, e o mercado onde você atua também sofrerá mudanças. Estamos testemunhando um desenvolvimento em velocidade exponencial, que está desenhando um sistema operacional totalmente novo e por isso sua organização precisará reaprender a fazer negócios.

Ao que parece, os novos sistemas operacionais já estão, pelo menos, nos planos de muitas empresas.

Em pesquisa recente da Deloitte, feita com 1.603 executivos C-level de 19 países, sendo 102 brasileiros (ie, 6,4% do total), foi avaliado como a chamada Indústria 4.0 poderá beneficiar clientes, funcionários, suas empresas e a sociedade como um todo.

Enquanto apenas 20% das respostas mundiais atribuem à tecnologia o papel de grande diferencial estratégico, 39% dos brasileiros consideram os aspectos tecnológicos como diferenciais competitivos — indícios de quão preparadas as empresas acreditam estar para as próximas transformações.



A mesma pesquisa aponta que 50% dos brasileiros (contra 42% da amostragem global) indicam que a adoção de novas e modernas tecnologias em suas empresas está entre suas principais deliberações estratégicas. Constata-se também que, enquanto 39% dos respondentes mundiais preparam-se para o impacto que as novas soluções terão na sociedade, um índice maior de brasileiros (46%) já leva esse assunto às discussões de rotina em suas organizações.

No entanto, numa esfera mais pragmática, somente 49% dos brasileiros, contra 57% da amostragem total, discutem com frequência sobre o desenvolvimento e a criação efetiva de outros produtos e serviços.

O Brasil, portanto, parece estar mais atento que o resto do mundo quando se fala em novidades tecnológicas, seus diferenciais estratégicos e impactos. Mas estaríamos agindo menos que o necessário? Sejam executivos brasileiros ou não, preocupados, formulando planos ou partindo para a prática, a atenção com o futuro nunca foi tão desafiadora.

O renomado futurista norte-americano Thomas Frey, diretor-executivo do DaVinci Institute, especula sobre novas e surpreendentes profissões para os próximos 20 anos. Segundo ele, teremos, em 2040, comandantes de frotas de drones, arquitetos de blockchain e designers de experiências espaciais nos quadros de funcionários das empresas.

A despeito dos ares ficcionais de suas abordagens, Frey nos celebra com uma frase que ilumina toda a importância de estarmos sempre, e cada vez mais, atentos ao futuro:

O jeito que você imagina o futuro muda suas ações no tempo presente.

Portanto, não é apenas o presente que constrói o futuro. O futuro também constrói o presente.

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Lisa Kay Solomon é presidente de Práticas Transformacionais e Liderança na Singularity University. Ela é categórica ao afirmar que achamos que nossa compreensão do futuro é melhor do que realmente ela é. De forma geral, temos somente a impressão de estarmos nos preparando para o futuro.

Nossas perspectivas sobre o que vem por aí ainda permanecem arraigadas em padrões do passado. Os líderes, como regra, não dedicam tempo suficiente para sistematizar novos cenários. Quando o conseguem, descobrem que seus planos contemplam um número surpreendente de variáveis desconhecidas. São pensamentos desafiadoramente complexos para que sejam totalmente compreendidos.

Mesmo assim, Lisa insiste em orientar executivos a pensar como futuristas. Assim teriam mais possibilidades de vitória contra os golpes fulminantes que o futuro promete desferir.

Para tanto, o primeiro passo é identificar as principais forças de alto impacto que modelam e influenciam o negócio. Normalmente elas podem ser divididas em cinco grandes categorias, representadas pelo acrônimo (em inglês) STEEP. São as forças Sociais, Tecnológicas, Econômicas, Ambientais e Políticas. A variação de cada uma dessas forças conduzirá o negócio para um cenário distinto.

Depois que essas variáveis tenham sido identificadas e priorizadas, Lisa sugere cruzar mais elementos, como novas tecnologias, indústrias adjacentes e startups entrantes, por exemplo. Assim seria possível estabelecer um espectro de como as forças tendem a se desenvolver ao longo do tempo.

Embora os futuros derivem todos do momento presente, sendo moldados por um conjunto comum das variáveis identificadas, os resultados especulados são significativamente estruturados e diversos.

Esse leque de expectativas é chamado pelos futuristas de Cone das Possibilidades. Trata-se de um framework desenvolvido em 2003 pelo PhD em Física Teórica Joseph Voros e que hoje faz todo o sentido quando precisamos estudar o futuro.

O Cone das Possibilidades oferece quatro conjuntos de futuro:

Futuros Possíveis: esta é a gama completa de eventos que podem ser desdobrados, ou seja, a totalidade de expectativas futuras.

Futuros Plausíveis: recorte dos Futuros Possíveis; são os cenários que acreditamos sejam possíveis, mas ainda não totalmente prováveis.

Futuros Prováveis: recorte dos Futuros Plausíveis; são os eventos mais prováveis que aconteçam de fato.

Futuros Desejáveis: refere-se ao recorte específico que se deseja alcançar. Não é necessário que esteja totalmente no conjunto de Futuros Prováveis, podendo avançar para o conjunto de Futuros Plausíveis, mas nunca ultrapassando os limites dos Futuros Possíveis.



Este exercício estratégico pode ser esclarecedor para os líderes ou mesmo trazer perguntas incômodas sobre o futuro:

Sua organização está focando somente o Futuro Desejável e negligenciando as demais possibilidades? Sua organização está preparada para toda a grandeza do Futuro Plausível?

Sobretudo para olhares tão acostumados a perceber o futuro como mera continuação do passado e do presente, essas questões realmente podem soar desconfortáveis. Afinal, como apostar num futuro sem conhecimento de todos os dados e fatos?

A boa notícia é que a adaptabilidade humana é fantástica e podemos (e devemos) aprender a superar o medo do desconhecido. Segundo Lisa, todos somos capazes de nos tornar futuristas melhores. Ao fazer isso, nós não apenas projetamos novas possibilidades, mas também fortalecemos novas esperanças. Ao exercitar o pensamento futurista, construiremos organizações mais flexíveis, adaptáveis e resilientes para o tão temido e, ao mesmo tempo, abundante futuro.

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Estamos todos apreensivos. Indivíduos, empresas e corporações estão planejando suas estratégias para lidar com as mudanças trazidas pelas novas tecnologias. O golpe virá, mais cedo ou mais tarde, e certamente com uma potência avassaladora que colocará os planos à prova. Como fazia Tyson.

E como sempre em nossa história, nas lutas de boxe ou nos embates entre a velha e a nova economia, haverá vencedores e perdedores. Basta sabermos quem vai assimilar o impacto e quem será nocauteado.

Os campeões serão definidos, sobretudo, pela capacidade de aprender a pensar e agir de forma diferente.

Ding! Ding!

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