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Revolução Tecnológica e a Sustentabilidade do Agronegócio

Não é de hoje que discussões envolvendo o crescimento populacional global, o aumento da renda per capita e a elevação na idade média da população estejam em pauta nas mais diversas organizações em todo o mundo. Esses três fatores são os principais propulsores para o aumento significativo da demanda global por alimentos e energia nos próximos anos.

A FAO estima que até 2050, quando a população global deverá atingir 9,7 bilhões de pessoas, haverá uma demanda adicional de 50% na produção de alimentos e energia, o que cria grandes desafios frente ao volume de recursos necessários para se produzir alimento que supra tamanha demanda.

O desenvolvimento sustentável tem sido o caminho adotado por organizações de diversos setores nesse contexto, no qual modelos de desempenho como o ESG – sigla de Environmental (Ambiente), Social (Social) e Corporate Governance (Governança Corporativa) – tem se tornado cada vez mais frequentes.

No agronegócio, setor primordial para produção de alimentos, fibras e bioenergia, o desenvolvimento científico e tecnológico é, indiscutivelmente, o caminho para aumentar a eficiência no campo, reduzir a dependência de recursos e garantir a preservação do meio-ambiente.

Nesse cenário, o Brasil já mostrou “o porquê” de estar se tornando o principal fornecedor sustentável de agro-produtos em nível global. O nosso país ocupa a liderança na produção de diversas culturas, ao passo em que mantém 66,3% das florestas preservadas, das quais 25,6% se encontram dentro das propriedades rurais – segundo a Embrapa.

Outro grande exemplo está relacionado ao aumento da eficiência no campo, afinal, nos últimos 40 anos (1977 a 2017), o setor registrou um aumento de 575% em sua produção de grãos, sendo que a produtividade cresceu 274%, enquanto que a área plantada apenas 80%.

Esses resultados só foram possíveis graças aos relevantes investimentos em ciência, pesquisa e desenvolvimento em prol do setor, que se deram por meio da criação de instituições de pesquisa públicas, como a Embrapa, e privadas, visando o desenvolvimento e a extensão rural. Esses feitos possibilitaram a ascensão no melhoramento genético de plantas, o surgimento de novos cultivares e a criação de sistemas de produção integrados e sustentáveis.

O avanço científico e o incentivo a criação de tecnologias continuarão sendo impulsionadores da sustentabilidade da atividade agropecuária: em suma, estamos falando em aplicar a inovação para “produzir mais em uma mesma área”.

Dessa forma, termos como “Agricultura Digital” ou “Agricultura 4.0” ecoam cada vez mais no mercado, trazendo a concepção de uma verdadeira revolução tecnológica nos mais diferentes elos das cadeias produtivas. Esses conceitos estão geralmente atrelados à inclusão de diferentes modelos de tecnologias na produção, como a inteligência artificial, sensores, análise ampla de dados (ou big data), segurança cibernética e compartilhamento de conteúdo em nuvem.

As informações, sejam do clima, de economia ou agronômicas, devem se tornar o principal insumo dos produtores para tomada de decisão mais assertiva na busca pelo aumento da eficiência, expansão das margens e posicionamento competitivo.

Por esse motivo, muitas iniciativas têm emergido nos últimos anos, com foco na criação de produtos e soluções inovadores para o setor. As “AgTechs”, ou startups do agronegócio, tem se desenvolvido, principalmente, próximas de regiões produtoras ou de instituições de pesquisa reconhecidas pela atuação no agro, como é o caso do Instituto Agronômico de Campinas (Campinas – SP), e da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP (Piracicaba – SP), formando amplos ecossistemas de inovação com os mais diversos perfis de agentes.

Atualmente, segundo o Radar AgTech Brasil 2019, existem 1125 startups do agronegócio no Brasil, com atuação nos mais diversos elos produtivos.

Softwares de gestão, sistemas de inteligência, equipamentos de sensoriamento remoto, aplicativos de informações técnicas, sistemas de inteligência e produtos à base de organismos biológicos – são algumas das principais soluções oferecidas pelas AgTechs brasileiras, e que seguem em linha com o contexto de orientação pela demanda.

A tendência é que a administração das atividades agropecuárias passa a ser feita, majoritariamente, sob a visão de “gestão de m²”, onde esse conjunto de tecnologias ajudará a resolver problemas pontuais do campo, e de forma precisa.

Em 2021, a ONU estima que o mercado de soluções para agricultura digital deverá movimentar mais de 15 bilhões de dólares em todo o mundo. O Brasil terá grande participação nesse cenário, e é por isso que precisamos nos dedicar diariamente para promover iniciativas, impulsionar debates e estimular conexões entre organizações públicas e privadas e profissionais que integram o setor.

A depender desses esforços, resultados ainda mais relevantes poderão ser vistos em curto espaço de tempo, nos consolidando de vez como modelo de desenvolvimento sustentável no agronegócio global.

Marcos Fava Neves é Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da EAESP/FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio.
Vinícius Cambaúva é consultor na Markestrat Group, formado em Engenharia Agronômica pela FCAV/UNESP.
Vitor Nardini Marques é consultor associado na Markestrat Group com formação em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP.

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Por uma cultura a favor da Cidade Humana

Impossível avançar sem antes pactuar com o leitor algumas definições. Trago para esse artigo o conceito de Cidade Humana derivado do trabalho de pesquisa do Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais (IPCCIC), resultado de cinco anos de atividade de campo, com visitas a cidades de todo o Brasil.

O grupo foge ao reducionismo, por isso, apregoa que uma Cidade Humana é aquela que (1) coloca o ser humano em primeiro lugar; (2) forma cidadãos cocriadores; (3) fortalece o sentido de comunidade; (4) religa o ser humano ao meio ambiente; (5) fomenta a economia cocriadora e (6) educa em suas múltiplas formas. Desses seis passos, os pesquisadores ramificam para modelos e arriscam, nessa fase do trabalho, a apresentar trilhas de saberes para a obtenção dos resultados propostos[1].

Para definir cultura, conceito polissêmico que desfila por muitos campos, trago como referência o trabalho do chileno Humberto Maturana, para quem “uma cultura é uma rede fechada de conversações.”[2] E, a partir dessa assertiva, acrescento, “conduta cultural é a configuração comportamental que, adquirida ontogeneticamente na dinâmica comunicativa de um meio social, é estável através de gerações.”[3]

Com isso, assevero que, para avançarmos rumo à Cidade Humana, teremos que propiciar o surgimento de uma cultura que a reivindique coletivamente. E tal tarefa não será possível, sem que criemos novas redes de conversações vinculadas a cada um dos passos descritos acima.

Para colocar o ser humano em primeiro lugar é fundamental desconstruir redes de conversações que estabelecem padrões culturais, como por exemplo, “o homem pode mais do que a mulher”; ou, “raça superior e raça inferior”; ou ainda, uma rede bem conhecida, “o mundo é dos espertos”.

Nessa mesma linha, para formar cidadãos cocriadores temos que rever redes de conversações que enrijecem as relações entre direitos e deveres, dando ao primeiro, sobreposição quanto ao segundo. Ou, permitir a propagação da rede de conversação “jeitinho brasileiro”, enaltecendo a malandragem.

Para interiorizar o sentido de comunidade em um cidadão, seguindo essa lógica, é basal criar novas redes de conversações que desconstruam redes antigas que levaram ao individualismo.

No caso do passo quatro rumo à Cidade Humana, religar o ser humano ao meio ambiente, a criação de uma nova cultura não é uma opção, mas a única possibilidade. As redes de conversações a serem desativadas a favor de novas, são muitas. Partem da noção de finito até a exacerbação do consumo e, essa, segue atrelada à economia cocriadora.

Já o sexto passo, educar em suas múltiplas formas, se apresenta como base para a criação de novas redes de conversações e apresentações de padrões recuperados de cultura. Como em um círculo que não para de se mover, em uma cadeia de ações e reações, a Cidade Humana somente se viabilizará quando for consolidada culturalmente como uma rede de conversação comum da ampla humanidade.

Adriana Silva é educomunicadora com Pós-Doutorado em Educação e pesquisadora do IPCCIC.

[1] IPCCIC, Seis Passos para a Cidade Humana. Editora Estação das Letras e Cores, São Paulo, 2019. 

[2] Maturana, Humberto; Verden-zoller, Gerda. Amar e Brincar – Fundamentos Esquecidos do Humano. Editora Palas Athena, São Paulo, 2015.

[3] Maturana, Humberto; Varela, Francisco. A Árvore do Conhecimento – as bases biológicas da compreensão humana. Editora Palas Athena, São Paulo, 2011.

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Você já ouviu falar sobre Human Design?

Pode parecer estranho, mas um termo que até bem pouco tempo atrás soava como algo novo, agora já se tornou velho: O tal do “Mundo Vulca”.

Aquele acrônimo de palavras em inglês, e que traduz todas as questões relacionadas ao mundo em vivemos hoje – Volatilidade (Volatility), Incerteza (Uncertainty), Complexidade (complexity) e Ambiguidade (Ambiguity) – foi intensamente materializado e vivido por nós, agora em 2020, em dos períodos mais desafiadores da nossa história recente.

E este foi um ano, onde de fato, fomos instigados a conviver de uma forma mais intensa com a tecnologia e com o mundo digital. E por isso, muitas empresas elegeram o COVID-19 como o maior propulsor de inovações dentro de suas estruturas operacionais.

Mas, se já tínhamos a sensação de que a automação e a inteligência artificial já iriam modificar intensamente a nossa forma de trabalhar, agora nós temos certeza! A sensação que temos é que o mundo com o qual convivíamos, está colapsando ao nosso redor.

Mas será que toda esta instabilidade, não seria também um convite para transformarmos as nossas vidas, diminuindo a nossa subserviência em relação a tudo que acontece ao nosso redor?

Acredite, esta pode ser a nossa grande chance de redesenharmos as nossas jornadas.

E este redesign de nossas vidas, ou o Human Design, está diretamente relacionado ao modo pelo qual transformamos o nosso modo de vivenciar o mundo, o nosso trabalho e o modo de ‘ganharmos’ as nossas vidas.

E esta mudança só se torna possível se investimos em um conhecimento mais alinhado a filosofia, a ciência e o design. Esta tríade pode garantir a nós, seres humanos, um melhor posicionamento frente aos próximos anos… (ou seriam meses?)

Dizer que as s pessoas precisam começar a entender, hoje, sobre programação, criptomoedas, segurança digital e inteligência artificial pode parecer um daqueles conselhos daqueles difíceis de serem seguidos. As escolas não nos ensinam como pensar o mundo sob a perspectiva das tecnologias exponenciais, o que pode se tornar um grande desastre em pouco tempo. Nem mesmo os mais jovens, que apesar de usarem smartphones e tablets desde muito cedo, apresentam uma proficiência digital capaz de entender a amplitude de impacto da tecnologia em suas vidas.

Boa parte da população tem um modelo mental que ainda limita este tipo de aprendizagem, inibindo qualquer movimento de empoderamento em relação a estas novas tecnologias.

Mas filosofia e o design podem ajudar neste sentido, ativando uma nova visão do mundo, da tecnologia e das oportunidades que se abrem neste novo século. A tecnologia pode se tornar uma forma de aprimorar a condição humana, ao invés exercer este papel tão excludente, opressor e amedrontador na vida de muitos.

Mas a decisão é nossa.

Como já dizia Alan Toffer, escritor e futurista americano, “Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não podem aprender, desaprender e aprender.”

Permita-se reconfigurar-se. Este é um direto seu, e por isso, não deixe de vivencia-lo. Já!

Vinicius Debian é empreendedor e Vanguardista Digital. Fundador da NEIL Change Makers, uma empresa de consultoria e treinamentos que se dedica a ajudar, pessoas e empresas, a enfrentarem os desafios de suas vidas e de seus negócios, por meio de uma mentalidade mais ética e digital.

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Inovação aberta: como começar a transformação digital na sua empresa

Muitas empresas têm percebido a necessidade de inovar, mas a maioria se perdem ainda no ¨como¨ iniciar o processo de inovação.

Independente do segmento de mercado, está cada vez mais claro para todos que as empresas tradicionais precisam se reinventar, senão perderão fatia relevante de mercado ou deixarão de existir.

Inovar não significa necessariamente ¨matar¨ modelos de negócios anteriores. A inovação pode ser incremental, ou seja, trazer uma melhoria em um processo, tecnologia, produto ou serviço que já existe. Ou pode ser disruptiva, mais drástica, que traga algo completamente novo e torne inviável a continuação do modelo de negócio no formato anterior, como o que ocorreu com o modelo de locação de filmes da Blockbuster, que faliu, com o lançamento do Netflix.

Ressalte-se que os dois modelos de inovação, incremental e disruptiva, são altamente relevantes para conduzir nossa sociedade para um futuro mais promissor e para uma melhor experiência dos clientes nos mais diversos segmentos de mercado.

No que se refere à inovação dentro das empresas, uma das melhores formas de iniciar um processo de inovação em uma empresa tradicional é a Inovação Aberta ou Open Innovation. A Inovação Aberta é um termo abrangente criado por Henry Chesbrough, professor e diretor executivo no Centro de Inovação Aberta da Universidade de Berkeley e chairman do Centro de Open Innovation – Brasil.

Veja abaixo o quadro comparativo da Inovação Fechada e Inovação Aberta:

Entre as grandes vantagens da Inovação Aberta estão o contato com grande número de stakeholders que podem trazer soluções inimagináveis apenas pelo time interno, a possibilidade de criar novos modelos de negócios e de fonte de receitas, além de spin offs de novos produtos com fornecedores ou parceiros que possam agregar know how e tecnologias já em fase mais madura de implantação ou até mesmo co-criar novas soluções em colaboração, unindo times externos com o time interno da empresa.

Outro ponto de grande valia na Inovação Aberta é abertura para uma nova cultura, pois esse tipo de inovação promove contatos entre diversos players como especialistas, consultores, universidades, startups, empresas de tecnologia, o que faz com que a empresa âncora interaja constantemente com outros tipos de gestão e perceba que é possível mudar a forma de gerir, medir e executar tarefas.

Dentro desse contexto da Inovação Aberta o mais importante é que todos os envolvidos tenham o máximo possível de humildade para entenderam que a linha mestra é a co-criação, que nenhum dos atores dessa jornada deve se entender como ¨dono da razão¨, pois todos aprenderão dentro desse processo através de experimentos e validações em conjunto.

Lembrando que é essencial entender bem o mercado que se pretende alcançar e o perfil do consumidor antes de lançar o produto ou novo serviço co-criado, para isso vale muito refletir sobre os perfis de personas dentro da curva de adoção de novas tecnologias, conforme abaixo:

Por fim, é super importante enfatizar que não existe regra para uma processo de inovação, assim como o objetivo a que ele se propõe, que é criar e aplicar nossas ideias, o processo de inovação em si também precisa de ser compreendido como um modelo de aprendizado constante, com o máximo possível de testes, experimentos, feedbacks e reformulações, para que não seja estático e burocrático, para não correr o risco de perder a sua essência.

Luma Boa Ventura é especialista em Transformação Digital e Inovação no MIT, Membro do Time de Liderança do Chapter de Betim da SingularityU, Co-fundadora da empresa AI ROBOTS de Inteligência Artificial para Indústria 4.0, Consultora de AI Transformation na Kunumi e de Inovação Aberta no MOVX.