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5 tendências exponenciais da CES 2022

Emoção, conexões e espontaneidade. Essa era a promessa dos organizadores da CES 2022 para atrair os espectadores até Las Vegas para conhecerem as mais de 2100 empresas expositoras do evento que é considerado a maior feira de tecnologia do mundo. Como um dos participantes, tenho que admitir que o evento superou minhas expectativas.

De tecnologias relacionadas a veículos autônomos, saúde e robótica até metaversos, tokens não fungíveis (NFTs) e tecnologia espacial, o que mais me chamou a atenção foi o uso da convergência tecnológica para aplicação de inovação em problemas reais. Essa foi a tônica central adotada por muitas empresas presentes no evento. Por isso, vale mostrar 5 exemplos desse importante conceito estudado com frequência na Singularity University.

Biotecnologia e Inteligência Artificial para detecção de Covid.

O produto Liberty da empresa Opteev é um detector de Covid para ambientes. Um sistema integrado que detecta automaticamente a presença do vírus na sala quando ele se liga ao aparelho através da circulação de ar. Quando as partículas virais passam, elas produzem assinaturas exclusivas que são detectadas pelos biossensores e enviadas para um processador integrado para detectar falsos positivos usando algoritmos especializados. Um indicador vermelho ou verde sinaliza se o ambiente é seguro ou não. A promessa é que o método detecta qualquer mutação futura do vírus, já que a Biotecnologia embarcada olha a raiz das proteínas e analisa as mutações através de um modelo de Inteligência Artificial adaptável.

Veículos autônomos e IoT para a produção de alimentos.

A John Deere revelou um trator totalmente autônomo que está pronto para produção em larga escala. A máquina combina sistema de orientação por GPS e novas tecnologias como IoT e Inteligência Artificial. O trator autônomo serve a um propósito específico: alimentar o mundo. A população global deverá crescer de cerca de 8 bilhões para quase 10 bilhões de pessoas até 2050. O trator autônomo possui seis pares de câmeras que permitem a detecção de obstáculos em 360 graus. As imagens capturadas pelas câmeras são passadas por uma rede neural profunda que classifica cada pixel em aproximadamente 100 milissegundos e determina se a máquina deve continuar se movendo considerando condições climáticas, variações na qualidade do solo e presença de plantas daninhas e pragas.

Realidade virtual e sensores para saúde mental de idosos.

Enquanto os idosos participam de um jogo de realidade virtual, seus dados comportamentais e neurofisiológicos são transferidos para um servidor em nuvem e interpretados em tempo real. O algoritmo processa automaticamente os dados combinados de séries temporais e analisa a função cognitiva dos idosos em tempo real. O servidor em nuvem gera um relatório de análise que é então transmitido para acesso web por qualquer celular ou tablet. Sinais de demência e Alzheimer podem ser detectados, especialmente no estágio inicial, quando seus sintomas são difíceis de distinguir das alterações normais relacionadas à idade. O produto é um óculos de realidade virtual com sensores EEG acoplados criado pela empresa Looxid.

Robótica e realidade virtual para trabalhos manuais a distância.

A empresa Beyond Imagination (BE) alega estar “reinventando a força de trabalho do mundo, criando um futuro onde todos possam ter uma vida saudável, próspera, produtiva e feliz. Um mundo onde cada indivíduo tenha acesso a ótimos serviços, empregos bem remunerados e excelentes cuidados de saúde. Um mundo onde a distância não seja mais um obstáculo.” Para isso, desenvolve uma plataforma ao redor do seu principal produto. Um robô chamado BeOmni que pode ser controlado por humanos através de óculos de realidade virtual. Ele tem rodas, braços, câmeras e sensores para substituir o trabalho humano em tarefas cansativas ou de riscos como colheitas de plantação, serviços mecânicos e trabalhos insalubres em fábricas.

Virtual Twins para soluções de engenharia e saúde.

A experiência do gêmeo virtual é uma nova forma de representar o mundo. Começa com um modelo 3D que representa a forma, dimensões e propriedades de um produto ou sistema físico. As simulações são executadas nesse modelo para explorar como um produto ou sistema se comportará quando montado, operado ou submetido a uma série de eventos. A plataforma 3DExperience busca ajudar a criar uma experiência virtual gêmea do corpo humano, oferecendo um espaço onde modelagem, simulação, inteligência da informação e colaboração são integradas para avançar e transformar a compreensão da vida humana. Indústria, pesquisadores, médicos e até mesmo pacientes podem visualizar, testar, entender e prever desde a forma como os medicamentos afetam uma doença até os resultados cirúrgicos antes que um paciente seja tratado.

Clique aqui e se divirta vendo o vídeo da minha experiência manipulando os gêmeos virtuais do meu cérebro e coração através da ferramenta.

Os efeitos das combinações e convergências de tecnologias exponenciais são cada vez mais aparentes na sociedade e na economia. Participar da CES 2022 foi uma chance de ver os movimentos exponenciais acontecendo na prática entre as mais diversas indústrias. Se você quiser saber mais sobre como as tecnologias exponenciais estão mudando a economia não deixe acessar meu conteúdo Exonomics.com.br e conhecer meu livro “Economia Exponencial”.

Eduardo Ibrahim é expert em Economia Exponencial da SingularityU Brazil. Autor do livro “Economia Exponencial – Da disrupção à abundância em mundo repleto de máquinas”. Executivo, empreendedor e TEDx Speaker, ele mostra em suas palestras como a convergência de tecnologias exponenciais está reconstruindo a economia como conhecemos.

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Frango de planta? Já está rolando

É um novo ano e para milhões de pessoas isso traz resoluções como se exercitar mais e comer de forma mais saudável. Sorvete? Esquece. Batata frita? No lixo. Hambúrgueres? Uma salada em substituição. Frango frito?Nos restaurantes Kentucky Fried Chicken nos Estados Unidos, os clientes em breve terão a opção de responder não.

A gigante do fast food está procurando lucrar com resoluções de alimentação saudável com o lançamento oportuno de um substituto à base de plantas para seu frango tradicional (leia-se: real). A KFC fez parceria com a Beyond Meat, que vem expandindo constantemente seu repertório desde sua fundação em 2009. Depois de começar com hambúrgueres, a empresa agora também produz salsicha e frango.

A Beyond Meat vem desenvolvendo nuggets de frango à base de plantas há algum tempo e, mais recentemente, começou a se concentrar em um substituto à base de plantas que imita o sabor e a textura do frango com músculo inteiro (como peito ou coxa de frango). Os nuggets são mais fáceis de replicar com ingredientes à base de plantas, pois sua carne é moída e não tem uma textura tão específica, mas um peito de frango à base de plantas é mais complexo.

“Peito de frango à base de plantas” soa como (e é) um oxímoro. Ao contrário do frango cultivado, que também está em ascensão, o frango à base de plantas não é realmente frango; é proteína de soja misturada com vários ingredientes que ficam com textura e sabor próximos ao do frango real. Sem surpresa, a Beyond Meat está mantendo os detalhes proprietários de sua fórmula em sigilo, mas é provável que o frango da empresa seja feito com um processo semelhante ao usado pelo concorrente Impossible Foods para seus hambúrgueres.

A Impossible Foods fez com que seus hambúrgueres à base de plantas tivessem gosto e sensação de carne de verdade, adicionando uma proteína da soja chamada legemoglobina. A legemoglobina é quimicamente ligada a uma molécula não proteica chamada heme e uma molécula contendo ferro que dá cor à carne vermelha. Ao descobrir esse ingrediente-chave e descobrir como extraí-lo de plantas, a empresa criou um produto único que se aproximava mais da sensação na boca da carne bovina real.

Esta não é a primeira vez que o KFC faz parceria com a Beyond Meat. As duas empresas testaram frango à base de plantas em um restaurante de Atlanta em agosto de 2019, esgotando sua oferta limitada em meio dia. O plano atual é disponibilizar o Beyond Fried Chicken por um tempo limitado, mas Kevin Hochman, CEO da KFC, espera que o teste corra da mesma forma. “Esperamos que se esgote”, disse. “Com base na velocidade dessa venda e na reação do cliente, isso determinará quais serão nossos próximos planos. Mas nossa intenção não é ser um e pronto.”

KFC é propriedade da Yum! Brands, que também possui Pizza Hut e Taco Bell. Havia cerca de 4.000 restaurantes KFC nos EUA no final de 2020, mas apenas 18% das vendas globais do KFC são domésticas; a rede vende muito mais na China do que em qualquer outro lugar. O frango frito à base de plantas está sendo lançado apenas no mercado dos EUA por enquanto, seguindo uma tendência crescente de atender ao interesse dos consumidores em comer de forma mais saudável e reduzir sua pegada ambiental.

O Burger King foi o primeiro a entrar no movimento baseado em vegetais com seu Impossible Whopper. O McDonald’s seguiu no ano passado com seu hambúrguer McPlant. A Hum! Brands planeja lançar mais produtos sem carne, incluindo carne assada à base de vegetais no Taco Bell. “Achamos que, em última análise, essa ideia de consumir cada vez mais proteínas à base de plantas é um fato consumado”, disse Hochman. “Vai acontecer, é realmente sobre quando.”

Você pode experimentar o Beyond Fried Chicken nas lojas KFC nos EUA. US $ 6,99 comprarão um pedido de seis itens, com alguma variação de preço por local.

Texto originalmente publicado no SingularityHub.

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Em busca do Santo Graal energético

Poucas tecnologias encapsulam o sonho tecno-utópico tanto quanto a energia de fusão, mas sua promessa de energia renovável ilimitada sempre permaneceu tentadoramente fora de alcance. Uma onda de acontecimentos nos últimos seis meses sugere que isso pode estar começando a mudar.

A velha piada é que a energia de fusão está a 30 anos de distância, e sempre estará. No entanto, há um otimismo crescente de que mais de 70 anos após os primeiros projetos de um reator de fusão terem sido concebidos, podemos estar a apenas uma década de tornar a ideia uma realidade.

Sem dúvida, o caminho para um mundo onde a fusão fornece uma proporção significativa da energia mundial é longo e incerto. Mas os últimos seis meses viram um influxo maciço de investimentos e uma série de avanços técnicos que sugerem que o campo pode finalmente estar amadurecendo.

“A fusão está chegando, mais rápido do que você espera”, Andrew Holland, presidente-executivo da recém-formada Fusion Industry Association, disse recentemente ao Financial Times.

A promessa da energia de fusão reside no fato de que ela pode converter pequenas quantidades de combustível altamente abundante em enormes quantidades de energia. E embora produza algum lixo radioativo, ele dura apenas cerca de 100 anos, em comparação com milhares de usinas nucleares convencionais.

Parte do motivo pelo qual a tecnologia é tão atraente é que já sabemos como criar reações de fusão controladas – os pesquisadores do Laboratório Nacional de Los Alamos alcançaram o marco já em 1958. O desafio é fazer com que as reações de fusão gerem mais energia do que o necessário para sustentá-los.

Mas parece que estamos nos aproximando. Em maio, os cientistas chineses conseguiram manter uma reação de fusão a 120 milhões de graus Celsius por 101 segundos, consideravelmente mais do que os experimentos anteriores e um grande passo para reações de fusão ininterruptas. E em agosto, pesquisadores do Laboratório Nacional Lawrence Livermore criaram uma reação de fusão que gerou 1,3 megajoules de energia ao disparar uma série de lasers em uma pelota de hidrogênio, com dados anteriores sugerindo que a saída era suficiente para tornar a reação autossustentável.

A indústria privada de energia de fusão também avançou aos trancos e barrancos este ano. Em setembro, a Commonwealth Fusion Systems (CFS) revelou o ímã supercondutor de alta temperatura mais poderoso do mundo, que planeja usar para confinar as reações de fusão em um reator de teste que estará online em 2025.

Ainda mais revelador do que os avanços técnicos, porém, é a enxurrada de investimentos que chegam a esse espaço. A CFS lidera o pacote depois de levantar mais de US $ 1,8 bilhão no início de dezembro, quase o dobro do financiamento total que o setor havia recebido até então. Isso aconteceu menos de um mês depois que a Helion Energy anunciou que havia recebido um recorde de US $ 500 milhões, com outros US $ 1,7 bilhão comprometidos se os marcos de desempenho forem alcançados.

Existem pelo menos 35 startups de energia de fusão em todo o mundo, de acordo com a Fusion Industry Association, e elas estão buscando uma variedade de projetos. O mais popular continua sendo o tokamak testado e comprovado, que usa ímãs poderosos para conter a reação, mas outros incluem o disparo de projéteis contra pedaços de combustível especialmente fabricados ou o uso de pistões movidos a vapor para comprimir o plasma e iniciar uma reação de fusão.

O grau de realismo dessas metas é certamente discutível. O maior e mais bem-sucedido projeto de fusão continua sendo o reator experimental ITER, uma colaboração multinacional que está em execução desde os anos 90 e iniciou a construção em 2013. O projeto foi assolado por atrasos repetidos e agora tem como objetivo alcançar a fusão até 2025, com um custo total projetado de cerca de € 20 bilhões (US $ 22,7 bilhões no momento desta redação).

Há esperança de que esforços privados mais enxutos sejam capazes de assumir mais riscos do que potencialmente acelerar o progresso. E dada a discrepância entre os custos do ITER e o dinheiro comprometido até agora, parece que eles precisarão aumentar significativamente suas apostas.

Ainda serão necessários bilhões de dólares e muitos anos para construir reatores suficientes para que a energia de fusão dê uma contribuição significativa à rede. Portanto, qualquer pessoa que veja a tecnologia como uma ave-maria para solucionar a mudança climática provavelmente ficará desapontada.

Apesar de todos esses desafios, o ímpeto parece estar crescendo. Embora os investidores possam estar fazendo uma aposta, não estavam dispostos a apostar há apenas alguns anos, o que sugere que eles viram um progresso genuíno.

Também há um reconhecimento crescente do importante papel que a fusão pode desempenhar em nossa matriz energética futura nos círculos de políticas públicas. Houve uma mesa redonda sobre a tecnologia nas negociações climáticas da COP 26 no início deste ano, e o governo do Reino Unido anunciou recentemente um investimento de US $ 250 milhões em um reator de fusão que deverá começar a gerar energia em 2040.

Resta saber se 2021 acabará sendo um ponto de viragem para a tecnologia de fusão. Mas se for, é difícil exagerar o impacto potencial. “A fusão é uma mudança radical na forma como os humanos obtêm energia. Na história da humanidade, isso pode estar ao lado do domínio do fogo ”, disse Phil Larochelle, da Breakthrough Energy Ventures, ao Financial Times.

Texto originalmente publicado em Singularity Hub.