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A disrupção tecnológica dos setores da economia

Uma economia de base tecnológica é aquela na qual todas as atividades, de finanças à educação, de saúde à alimentação, são realizadas por pessoas capacitadas para inovar e usar tecnologias para provocar crescimentos exponenciais na economia. Todo grande momento de mudança carrega os seus sinais, mais ou menos sutis, e não é diferente com a economia de base tecnológica que, cada vez mais, ganha a atenção dos mercados.

          Se todos os olhos se voltaram para esse novo universo econômico, os executivos de empresas se dividiram entre dois grupos: enquanto alguns perdem o sono assistindo às rápidas mudanças do mercado, outros trabalham para inserir os seus negócios nesse novo mundo e começaram, eles mesmos, a redirecionar o seu foco e a dar esses saltos de crescimento em todos os setores da economia.

          O fato é que, desde a forma como vamos ao mercado até a tecnologia espacial, nenhum setor vai passar inalterado por essa mudança. A disrupção se tornou uma constante. O que, então, nos deixa claro: quando a economia muda de forma tão radical e tantas portas se abrem ao mesmo tempo, negócios e carreiras mudam e, consequentemente, a vida de todos muda junto.

A transformação econômica é também uma transformação social

          Saltos radicais como esses já aconteceram na história. Podemos parar um momento para imaginar como deveria se sentir um artesão que, vivendo na Inglaterra agrária, no século XVIII, vivia de tecer roupas em um negócio familiar, de dimensão comunitária. Sua rotina oscilava entre preparar o couro, retirar a lã da ovelha, tingir o material e produzir as vestimentas, que seriam trocadas por outros bens.

          De repente, passam a chegar das colônias matérias-primas em grande volume e a população passa, cada vez mais, em se agrupar em vilas que, adiante, dariam origem às cidades. Então, é inventado o tear mecânico, que acelera a capacidade de produção, mas que não é acessível a esse tecelão que, de repente, se torna um empregado em uma instituição estranha a todos e recém-criada: a fábrica – e seu mundo não voltaria a ser o mesmo.

          É uma historieta um tanto quanto comum, ensinada em qualquer colégio do país no ensino fundamental. O que nos interessa nela é um detalhe: a vida do tecelão, a forma como ele comia, os problemas que tiravam o seu sono e o seu projeto de vida, tudo isso foi modificado pelos avanços tecnológicos da época.

          Sem o boom tecnológico das grandes navegações ou a invenção do tear mecânico movido a vapor, não haveria esse salto econômico e nem a efervescência social inédita na história da humanidade do surgimento do mundo moderno. Não haveriam novas classes sociais surgindo, uma nova sensibilidade ou novas formas de trabalho e, certamente, a história do mundo inteiro teria sido outra.

Será que não estamos mais perto de um momento análogo do que imaginamos? Quais novos negócios e desafios serão consequência da Inteligência Artificial e do blockchain? Quais grandes problemas sociais que nos parecem inescapáveis que poderemos encarar com essas novas tecnologias? Quais novas profissões estão surgindo e o que será ́ demandado de quem já está atuando, hoje, para se adequar a esse novo mundo?

O velho novo mundo

Quando novas questões e organizações surgem, as velhas instituições não cessam o seu trabalho, pelo contrário, Gigantes do mundo financeiro discutem hoje como realizar a migração de seus dados robustos para a computação em nuvem sem perder a segurança e governos seculares se debatem com desafios próprios, como a proteção de dados e as leis da privacidade, que no Brasil tomou a forma da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).

Desafios novos, portanto, que se colocam para os gestores das organizações que querem se manter perenes. Onde estão, afinal, os profissionais qualificados para encará-los? Onde estão os espaços educativos que formam esses profissionais para um mercado que se transforma tão rapidamente? E mais, diante de uma escassez grande de profissionais e um ambiente profissional tecnológico tão aquecido, como manter os funcionários mais criativos e engajados presentes em um longo prazo?

Essa necessidade se traduz, por outro lado, em oportunidade: profissionais que abraçam esse universo passam a ser cada vez mais cobiçados e são capazes de oferecer resultados impressionantes. A boa notícia, para todos, é que não há discriminação de área: médicos que saibam utilizar a I.A. para interpretar exames radiológicos serão cada vez requisitados e professores que sejam capazes de usar metodologias computacionais para demonstrar um aumento de desempenho dos alunos também.

As muitas formas da revolução tecnológica

          É claro que, em cada modelo de negócio e nichos específicos, as aplicações dessas tecnologias ganham formas variadas. Assim, para introduzir essa diversidade e mostrar um pouco mais sobre como funcionam os saltos exponenciais na economia associados à tecnologia,  podemos listar alguns exemplos de mudanças nas mais diversas áreas que foram profundamente transformadas por esse novo cenário:

MARKETING

De outdoors e propagandas de televisão, com pouca capacidade de quantificação de resultado ou escalonamento, a anúncios em redes sociais (como o Facebook e Instagram) ou no próprio Google, o marketing passou por uma revolução na última década. Novas ferramentas que possuem a capacidade, eles mesmos, de testar diferentes possibilidades em tempo real e combinações de elementos, fazendo com que anúncios e conteúdo sejam criados de forma personalizada para diferentes públicos, e, assim, sejam mais efetivos, tenham menor custo e sejam e direcionadas a um público efetivo.

Nesse setor, a implementação progressiva do machine learning significa tanto um aumento da receita das empresas quanto uma experiência muito melhor para o cliente. A eficiência das novas tecnologias na área, estão fazendo com que as empresas abracem essa nova realidade: na última pesquisa “Maturidade do Marketing Digital e Vendas no Brasil”, constatou-se que 94% das empresas escolhem o Marketing Digital como estratégia de crescimento.

SEGURANÇA PÚBLICA

          Já está sendo implementado no Brasil o sistema de reconhecimento facial através de câmeras, trabalhando tanto para encontrar pessoas desaparecidas quanto para mapear pessoas procuradas pela polícia. O sistema opera identificando traços faciais como distância entre os olhos, formato de boca, queixo e nariz, e formato da mandíbula,

Em cidades como o Rio de Janeiro e Salvador, as câmeras públicas também já identificam armas e placas de veículos procurados. Assim, hoje, o policiamento preventivo já utiliza tecnologias que, se à primeira vista parecem mais com filmes de ficção científica, na realidade são um resultado da ampla capacidade da inteligência artificial para identificar padrões.

EDUCAÇÃO

          Não é por acaso que 75,5% da população brasileira é adepta de jogos eletrônicos, segundo a última pesquisa “Game Brasil”. Os jogos são feitos sob medida para criar uma dinâmica que empolga e fascina para garantir que o usuário fique por horas envolto em uma atmosfera de desafio e satisfação.

          Não parece fascinante que esta lógica de funcionamento possa ser utilizada para estimular os alunos que procuram se desenvolver, e mais, que a Inteligência Artificial possa fazê-lo de forma a personalizar a jornada de cada um deles para que seja mais efetiva?

          Por isso, além de escolas, empresas estão vendo na gamificação uma forma de aumentar o desempenho, gerar motivação e aumentar seus resultados em tarefas e treinamentos internos. A Vale, por exemplo, adotou, na sua última Semana do Meio Ambiente, a gamificação, e o feedback dos funcionários foi que 99% dos funcionários apontaram que o jogo gerou maior interesse no evento e 98% sentiram-se mais engajados com o novo método.

ARTE

Há anos, artistas de todos os tipos e tamanhos se debatem com a nova dinâmica que a internet inaugurou, seja nas artes visuais ou na música, por exemplo. Se todos conseguissem ter acesso às obras gratuitamente pela internet, qual seria a fonte de receita dos criadores?

          Os NFT (tokens não-fungíveis), assim, passaram a ser um caminho natural para esse novo universo, em que a propriedade das obras digitais originais pode ser comprada, ao mesmo tempo que cópias circulam livremente pela internet. Com a tecnologia do blockchain, o comprador possui segurança na transação e também transparência sobre a propriedade.

          Assim, a sua lógica de funcionamento foi abraçada pelo mercado dos colecionadores de arte, que buscam exclusividade e originalidade em suas aquisições. Aos que ainda desconfiam de sua adoção, o mercado dos NFTs está ainda se ajustando, mas já movimentou US$ 24,9 bilhões (cerca de R$ 130 bilhões) em 2021, segundo dados da Dapp Radar.

A tecnologia e a economia direcionando o nosso futuro

          Esses são alguns exemplos, bastante diversos entre si, de formas como as mais diversas áreas estão se reinventando ao se confrontarem com as novas tecnologias. O importante, para quem olha para o futuro, é enxergar essas situações como fontes criativas, como bons exemplos. Afinal, as novas regras do jogo econômico estão sendo definidas agora, e as formas como o blockchain e a Inteligência Artificial estão alterando os mais diversos segmentos do mercado ainda está sendo desenhada.

          Assim, se as empresas possuem demanda de profissionais com conhecimento tecnológico, o mundo precisa de mais: pessoas capazes de olhar para esse momento em que vivemos e que saibam oferecer ideias que acompanhem essas mudanças, mentes capazes de perceber as diversas formas desse movimento e detectar, assim, onde está o potencial disruptivo que as tecnologias exponenciais proporcionam em cada setor da economia.

Eduardo Ibrahim é fundador da consultoria de inovação disruptiva Exonomics, Faculty Global da Singularity University e autor do livro Economia Exponencial: Da disrupção à abundância em um mundo repleto de máquinas.

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