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Carros voadores: o que falta para virar realidade

Leonardo da Vinci projetou desenhos para um “movimento aéreo em forma de parafuso” na década de 1480, mas o vôo vertical prático não surgiu até meados do século XX. A habilidade de decolar e pousar em qualquer lugar parecia definir o futuro. Na realidade, os altos custos operacionais, o ruído irritante do rotor e o ponto único de falha inatos aos helicópteros impediam que eles se tornassem opções de trânsito acessíveis e amplamente aceitas. As companhias aéreas de helicópteros aumentaram e diminuíram durante as décadas seguintes, e o destino dessas empresas foi sendo traçado pelo aumento dos custos de combustível e alguns acidentes proeminentes.

Os projetos atuais de táxi aéreo elétrico e híbrido-elétrico, possibilitados por melhorias contínuas na densidade de armazenamento de energia e na propulsão elétrica, prometem resolver os problemas fundamentais apresentados pelos helicópteros. Além dos custos de combustível consideravelmente mais baixos oferecidos pelos veículos de decolagem e aterrissagem vertical e híbridos elétricos, os motores elétricos são mais simples e mais baratos de se manter do que os motores de turbina. A propulsão elétrica distribuída – potencializando em torno de quatro a dezenas de rotores energizados separadamente – pode reduzir a emissão total de ruído do veículo e descartar as preocupações com a segurança associadas a um único rotor principal (embora as baterias tenham seus próprios desafios significativos de segurança).

A proposta de valor do trânsito em 3D

Há uma razão pela qual as pessoas com recursos viajam de helicóptero e aviões particulares: é muito mais rápido do que seguir pelas ruas cada vez mais congestionadas, embora o tráfego aéreo seja limitado pelos locais de pouso disponíveis. Comparando uma viagem de carro de 482 km a um voo de avião, o céu é certamente a melhor opção – mas para uma viagem de 32 km pela cidade, como a mobilidade aérea urbana espera oferecer, há muito menos tempo para se economizar.

Mas e se a rota proposta contiver um obstáculo geográfico que impeça viagens rápidas no solo, como o porto de Vancouver – ou condições de tráfego tão ruins quanto Mumbai, São Paulo ou Los Angeles? A Blade Air Mobility, que atualmente oferece serviço na cidade de Nova York, a partir de um heliporto na Baixa Manhattan até o aeroporto JFK (e muitos outros destinos), cobra US$ 200,00 por uma viagem de helicóptero de cinco minutos sobre o East River, que atualmente leva mais de uma hora de táxi ou transporte público.

Obviamente, a experiência da Blade não leva somente cinco minutos para ir de porta em porta, especialmente se o destino final de uma pessoa não é um heliponto ou um aeroporto. Uma vez que incluímos o tempo do trânsito terrestre de e para o helicóptero, além da espera da partida, jornalistas do New York Post descobriram que esse serviço era três minutos mais lento que o transporte público.

A proposta de valor de tempo por dinheiro da mobilidade aérea urbana dependerá da redução do tempo gasto viajando de e para os nós de transporte aéreo e do aumento da produtividade dos passageiros. O transporte aéreo comercial geralmente é desconectado de outras formas de transporte urbano; os aeroportos quase sempre estão além dos limites da cidade – fora do alcance de restrições complicadas de zoneamento e espaço aéreo.

A mobilidade aérea urbana deverá ser adequadamente integrada às opções existentes e futuras de metrô, ônibus e outros meios de transporte público para que a economia de tempo total da viagem ao ar seja realizada. Atualmente, muitas cidades também não têm heliportos suficientes para construir uma rede útil de destinos; um desafio que as empresas de investimento em infraestrutura e desenvolvimento imobiliário estão começando a enfrentar.

Além de gerar economia de tempo, o custo do transporte urbano em 3D para o consumidor deve diminuir para que se torne um mercado digno das avaliações, estimadas na casa dos trilhões de dólares, feitas por analistas.

Blade, Uber e Voom, apenas para citar algumas empresas, reduziram substancialmente o custo do transporte sob demanda de helicópteros, de milhares de dólares por viagem para aproximadamente US$ 200 através da tecnologia, dados, e compartilhamento de viagens. Os veículos elétricos e, eventualmente, a autonomia prometem reduzir ainda mais esse custo, mas isso será suficiente para apresentar uma alternativa viável em termos de custo para carros e transporte público?

A mobilidade aérea urbana também está tentando atingir uma meta de custo móvel, à medida que fabricantes de automóveis e empresas de tecnologia investem bilhões em recursos de direção autônoma, veículos elétricos e recursos avançados de fabricação – todos os quais ameaçam reduzir o custo e a fricção do transporte baseado em carros, que tem a enorme vantagem física de não ter que superar a gravidade. O Uber revolucionou a experiência do carro sob demanda de maneiras inimagináveis ​​há 10 anos. Com o que os táxis aéreos terão que concorrer quando estiverem certificados e prontos para o horário nobre?

Texto traduzido e adaptado do Singularity Hub

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