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Não fizemos a lição de casa

Há exatos quatro anos, fui convidado pela HSM para escrever o prefácio da edição brasileira de FOUR, de Scott Galloway.

Segue trecho do mesmo, abre aspas.

…Por sua vez, dizer “não nos chame de veículo, somos uma plataforma” e tentar se isentar da responsabilidade abriu o flanco para um ambiente nocivo repleto de desinformação e falsas notícias capazes de mudar o rumo da história da humanidade.

Se as regras do jogo mudaram, as leis também não precisariam ser revistas? As leis antitruste, por exemplo, foram criadas para proteger as pessoas de práticas de negócio predatórias. Mas como lidar com isso em um mundo onde a concorrência passou a ser um conceito mais nebuloso?

Em um mundo menos binário, práticas predatórias podem estar acontecendo mesmo sem que nenhuma lei esteja sendo quebrada. Assuntos antigos e polêmicos como privacidade passaram a ter novas camadas de complexidade…”

Fecha aspas.

Alguns assuntos estão na mesa há décadas, literalmente. Há 20 anos dediquei um capítulo inteiro de um de meus livros para o tema privacidade.

Por não termos feito a lição de casa, agora temos três problemas sérios que se misturaram.

O monopólio das big tech, o descuido com a privacidade e a polarização da população.

As coisas funcionam assim, problemas se não forem resolvidos no tempo correto, escalam. A sujeira quando acumula, atrai ratos e depois a peste. Os problemas crescem, evoluem, se transformam em algo maior e mais difícil de lidar.

Mas o caminho para resolver está em entendermos que são problemas distintos, trabalhando em cada um deles por separado.

Ricardo Cavallini é expert de fabricação digital da SingularityU Brazil. Autor de seis livros que abordam tecnologia, negócios e comunicação. Embaixador MIT Sloan Review Brasil. Colunista no UOL sobre inovação e tecnologia.

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