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Novartis Future Talks + SingularityU Brazil

Na última quarta-feira (dia 9), ocorreu o Novartis Future Talks + SingularityU Brazil. Apresentado por Christiane Pelajo, o evento virtual discutiu tecnologias disruptivas na área de saúde, o futuro dos negócios no setor e como promover modelos de inovação sustentável e novas oportunidades de investimento.

“A era das Terapias de Saúde avançadas e o que isso significa para a Saúde e Economia brasileira”
Presidente do Conselho da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, Claudio Lottenberg é considerado um dos executivos mais influentes no mercado de saúde brasileiro. Autor do livro, “Saúde e Cidadania – A Tecnologia a Serviço do Paciente e não ao Contrário”, ele expôs sob o ponto de vista médico e econômico a importância das terapias de saúde avançadas para o país.

Segundo Lottenberg, estamos acompanhando uma oportunidade enorme de resolver, por meio da terapia gênica, uma série de doenças que até pouco tempo pareciam impossíveis. Um movimento que pode ser classificado como medicina personalizada. “Um grande achado em relação ao avanço do conhecimento médico é a convergência tecnológica: instrumentos diagnósticos começam a ser utilizados por meio da intervenção. Ao mesmo tempo que você faz o diagnóstico, realiza o tratamento”.

Ele ainda citou a importância dos avanços nos transplantes. “Com o aumento da expectativa de vida, determinados órgãos deixam de funcionar e literalmente devem ser substituídos. E, hoje, temos a possibilidade de transplante via doação de órgãos e também, em alguns casos já presentes, via impressão 3D que te permite criar determinados órgãos”.

A apresentação de Lottenberg também trouxe um retrato desafiador para o sistema de saúde nacional, formado por um quadro de aproximadamente 9,5% do PIB direcionado à área da saúde, 45 milhões de brasileiros no sistema privado de saúde e cerca de 160 milhões de habitantes de usuários do SUS.

“Temos uma crise importante em relação à Previdência – que acabamos de reformar mas que, na minha opinião, não será suficiente no curto prazo. Na área da saúde também devemos nos preocupar já que lidar com uma expectativa de vida maior com qualidade de vida melhor requer investimentos significativos“, alerta.

Lottenberg finalizou propondo a revisão dos modelos assistenciais e o uso da telemedicina. “O Brasil ainda conta com um modelo extremamente centrado na assistência hospitalar. Vejo isso como um equívoco. Hospitais são estruturas criadas para atenderem casos de alta complexidade e os casos de baixa complexidade ainda buscam os sistemas de saúde. Praticamente 90% dos atendimentos resolvem o problema de saúde em uma consulta. Então, temos que fortalecer os programas de atenção primária com coordenação do cuidado”.

Claudio Lottenberg, presidente do conselho do Hospital Albert Einstein

“O desafio do Sistema Único de Saúde Brasileiro diante das Novas Tecnologias em Saúde”
Denizar Vianna é mestre em cardiologia, doutor em saúde coletiva, professor associado da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e pesquisador do Comitê Gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Avaliação de Tecnologias em Saúde (IATS) CNPq/Brasil. Entre os anos de 2019 a 2020 foi Secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde.

Profundo conhecedor dos sistemas público e privado do Brasil, Vianna discorreu sobre as questões envolvendo o acesso e a criação de políticas de saúde.

“Os cientistas fizeram o dever de casa, avançamos muito nas tecnologias que modificarão doenças genéticas e adquiridas. E os formuladores de políticas de saúde possuem o desafio de fazer frente a esses avanços científicos. A grande questão é: como criar acesso a essas tecnologias? Porque não basta que elas estejam disponíveis, elas precisam ser acessíveis, senão aumentaremos a iniquidade nos sistemas de saúde”.

Em sua visão, a área da saúde ainda é resistente à adesão de novas tecnologias. No entanto, incorporar essas ferramentas é crucial para entregar melhores resultados no atendimento à população. “A junção de demanda por tecnologia e aumento da longevidade impõe pressão aos sistemas de saúde público e privado. Cabe aos formuladores de política de saúde encontrarem soluções para isso e utilizarem melhor as emendas parlamentares em busca de mais recursos. Mas não podemos nos esquecer da responsabilidade dos gestores públicos e privados nesse processo. A gestão deve envolver a inovação também”.

Vianna propôs discussões e ações acerca do modelo tributário do país, sugerindo um formato mais progressivo que tribute mais renda e menos consumo. “A sociedade precisa fazer essa reflexão. Se nós queremos um sistema de saúde mais justo, nós cidadãos precisamos decidir de onde podemos tirar para direcionar mais a esse setor“.

Denizar Vianna, médico, professor e pesquisador do Comitê Gestor do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Avaliação de Tecnologias em Saúde

“Como tornar as inovações em saúde economicamente viáveis ​​no Brasil”
Apontado como o economista mais influente do Brasil pela revista Forbes, Ricardo Amorim falou sobre os caminhos para viabilizar as inovações das terapias gênicas  — uma jornada que passa por investimentos de todas as áreas, e não apenas da indústria farmacêutica.

Compreender os cenários e conjunturas econômicas que afetam o sistema de saúde no país e no mundo é fundamental, mas entender para onde vai a economia não é uma tarefa fácil. Especialmente em momentos de incerteza, quando existem variáveis flutuantes sobre diversos setores.

Durante sua apresentação, Amorim apontou alguns modelos para tornar possível esse processo de inovação.

“Estão surgindo ideias inovadoras como a humanidade nunca viu. Mas ideia não é inovação. Entre a ideia e a inovação propriamente dita há um passo fundamental que é a execução: a capacidade de efetivamente transformar a ideia em um produto ou serviço. Para isso, precisamos de dinheiro, sem ele nada se concretiza“.

De acordo com Amorim, o financiamento em inovação no Brasil e no mundo chegou ao seu nível histórico mais alto. Para ele a receita para viabilizar a inovação é: ideia + financiamento + tecnologias de base. “Isso já vem acontecendo nas últimas duas décadas. Isso é tão marcante que o crescimento da renda no mundo nesse período foi maior do que nos dois mil anos anteriores, por conta da aceleração da inovação. Ou seja, é um movimento que já vinha antes da pandemia, mas que foi acelerado com sua chegada“.

O economista aposta em parcerias público privadas na busca por soluções de infraestrutura, transferência de know-how e custos elevados no desenvolvimento de novas tecnologias.

Ricardo Amorim, economista e apresentador do programa Manhattan Connection.

“O futuro das empresas, organizações e setores”
Pascal Finette é cofundador da be.radical, Chair de Empreendedorismo e Inovação Aberta da Singularity University e também associado da BOLD Capital Partners, o fundo de capital de risco de $250 milhões de Peter Diamandis.

O trabalho de Finette se concentra no cruzamento entre tecnologia, impacto global e cultura. Em seu talk, o empreendedor contribuiu com reflexões e informações essenciais sobre o futuro dos negócios na área da saúde.

Segundo Finette, se você pensar em uma organização  — que pode ser uma empresa, um sistema de educação ou de saúde  —, ela sempre terá dois modelos de ação: inovação (que ocorre no núcleo) e disrupção (que ocorre nas extremidades). Inovação é fazer o que deve ser feito, mas de maneira melhorada. Disrupção ocorre quando rompemos barreiras e desafios, como criar uma vacina no período mais curto possível.

“O núcleo das organizações deve ser eficiente, eficaz e otimizado. Mas as extremidades devem ser compostas de aprendizado acelerado, com insights e experimentos inovadores. Diferentemente do core, que mensura a produtividade, a disrupção mede a habilidade de aprender e criar novas soluções“.

De acordo com Finette, as empresas do futuro serão constituídas pelas seguintes camadas: mercado, modelo de negócio, modelo operacional, cultura, missão, propósito e pessoas.

Pascal Finnete, cofundador da be.radical e chair da Singularity University.

“Futuro, Abundância e Impacto”
Peter Diamandis, fundador e presidente da X Prize Foundation e cofundador da Singularity University, foi outro destaque da programação. A partir de sua característica visão otimista, ele traçou um cenário promissor para a área da saúde nos próximos dez anos.

Segundo Diamandis, o futuro dos sistemas de saúde será orientado pela convergência de tecnologias exponenciais que a cada ano se tornam mais baratas, segmentadas e acessíveis.

Entre as tecnologias que devem revolucionar o setor, ele aponta sensores, redes, inteligência artificial, robótica, realidade virtual, impressão 3D, biologia sintética, blockchain — ferramentas que irão revolucionar todas as pontas dos serviços médicos, cuidados e atendimento hospitalar.

Peter Diamandis, cofundador da Singularity University.

“Esse é um ano extraordinário de mudanças especialmente para a área da saúde e sua indústria. Até 2030, haverá mudanças sobre quem proverá o sistema de saúde, como e onde ele será provido. Infelizmente, hoje não temos um sistema de saúde mas um sistema de adoecimento. A indústria da saúde hoje age quando os indivíduos estão doentes para só então trazê-los de volta ao estado saudável ao invés de mantê-los saudáveis pelo máximo de tempo possível”.

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O que não dizem sobre o futuro do trabalho

Existe um viés na discussão corrente sobre o Futuro do Trabalho, que está muito inclinada para o escopo das grandes corporações, como o trabalho remoto (anywhere, anytime); a importância da formação de squads; a importância das Soft Skills (empatia, vulnerabilidade, curiosidade, criatividade, adaptabilidade); o quanto será ou não substituído por IA, e assim por diante. É preciso ampliar esse debate.

A quarta Revolução Industrial acelerou o ritmo da diversificação de atividades. O impacto promovido pela internet na economia pode ser comparado à colonização de outro planeta, o “Planeta Digital”, semelhante ao Planeta Terra, porém nas nuvens. Talvez ainda seja difícil visualizar essa magnitude enquanto estamos no processo. Por isso, a ficção científica ajuda a enxergar melhor para onde estamos indo, como, por exemplo, os episódios “Quinze Milhões de Méritos” e “Queda Livre” da série Black Mirror da Netflix, e os filmes “Jogador Nº 1” e “Her”.

Neste contexto, em relação ao mercado de trabalho, o Digital permitiu tanto o surgimento de novas profissões, como Influencers, YouTubers, Nômades Digitais, quanto a adaptação de profissões tradicionais para esse novo “espaço”. Profissionais de inúmeras áreas diferentes embarcaram nessa missão rumo ao desconhecido.

Como colonizadores diante de imensos territórios inexplorados, os primeiros habitantes do Digital encontraram seu “oceano azul” de oportunidades. Puderam rapidamente construir autoridade, conquistar seguidores diante de uma altíssima taxa de entrega do conteúdo para
sua base, compraram tráfego a valores ridiculamente baixos e hoje usufruem do pioneirismo.

É o caso de um advogado proprietário de um escritório que, segundo ele, estava “quebrado e sem esperanças” quando passou a criar conteúdo online gratuito sobre, pasmem, os caminhos do sucesso na carreira jurídica. Sua narrativa mostrou apenas o imóvel pomposo da empresa e
os 20 anos de existência. Pode até ter sido motivo de chacota pelos conhecidos. Mas, seu público alvo, persona, era bem diferente: jovem recém-formado. Essa é uma grande vantagem do Digital. Em menos de um ano, esse advogado deu a volta por cima, surfou na onda de lançamentos de cursos online, os infoprodutos, e rapidamente virou case de sucesso!

Em decorrência das tecnologias que surgiram nas últimas décadas e continuarão crescendo à la Lei de Moore, tem surgido uma enormidade de atividades laborais inovadoras, como os especialistas em IA (Deep e Machine Learning), Blockchain, Iot, Realidades Estendidas; Marketing Digital; Games Virtuais; etc. Como também, tem transformado tantas outras profissões existentes em razão do impacto que essas inovações têm exercido no modo de viver, na cultura e nas relações.

A despeito deste cenário, atualmente, o debate sobre o trabalhador do futuro que encontramos em fóruns, apresentações, conferências e artigos está inspirado em relatórios de pesquisas de grandes consultorias. O problema é que elas costumam entrevistar apenas executivos de grandes corporações. O que torna suas conclusões enviesadas a esse nicho.

Dados do IBGE mostram que, do total da população ocupada no Brasil, aproximadamente 40% está na informalidade, portanto, 60% tem emprego formal. Já o SEBRAE* em seu estudo identificou que por volta de 30% dos empregos com carteira assinada se encontram em grandes corporações. Conclui-se que, do total dos trabalhadores no Brasil, apenas 18% estão nestas grandes empresas e o restante, 82%, fora delas.

Extremamente relevante, portanto, são a ODS 8 da ONU, suas Metas e Indicadores localizados para o Brasil, onde se encontram diretrizes sobre o que precisa ser feito em termos de estímulo à capacitação profissional para um futuro mais digno, justo e próspero do país. O Governo Federal* e o do Estado de São Paulo* têm criado iniciativas com foco maior nas áreas
tecnológicas. Neste mesmo sentido, o World Economic Forum* lançou o “Reskilling Revolution”, focado em estratégias para preparar um bilhão de pessoas em todo o mundo até 2030.

Uma análise interessante também é sobre o que se convencionou chamar de economia freelance ou Gig Economy, composta pela massa de informais e autônomos. Neste quesito, muito se discute sobre a precarização do trabalho em razão de baixas remunerações e proteções trabalhistas. Porém, é preciso levar em consideração que é um movimento
irreversível da atual conjuntura dos negócios, com o aumento do peso relativo dos encargos trabalhistas nas indústrias intensivas em mão de obra, frente à competição com as empresas nascidas Digitais de alta escalabilidade.

Em paralelo, e mais recente, outro movimento importante tem ocorrido na classe profissional mais elitizada e qualificada, que vem expandindo o alcance do fenômeno da Gig Economy. Diferente do caso do advogado citado, agora até mesmo os bem sucedidos executivos, médicos, dentistas, advogados, comunicadores, arquitetos, engenheiros têm emigrado do emprego tradicional por oportunidade e propósito, ao invés de por necessidade. Esse profissional acumulou alguma reserva financeira e se prepara para essa jornada num mergulho profundo na aprendizagem empreendedora – conhecem contratos de mútuo conversível; plataformas SaaS de gestão; estratégias de marca e growth hacking; e muito mais.

No entanto, é provável que o termo Gig Economy não seja o melhor para definir esse novo grupo. Talvez o termo “Gig New Economy” seja mais adequado. Essas pessoas optam por trocar seu emprego para fundar Startups, lançar seu curso online, se plugar às plataformas de marketplaces de profissionais de serviços mais sofisticados, entre outras iniciativas. Em outro artigo faço uma reflexão mais profunda sobre as habilidades desse profissional de sucesso da Nova Economia.

O fato é que quando se fala de “Futuro do Trabalho” de forma genérica é urgente uma visão holística sobre o assunto sob o risco de executivos de grandes corporações ficarem ouvindo apenas o eco de suas próprias vozes e não perceberem as reais ameaças e oportunidades.

Matheus Henrique Lopes Pereira Lima é chapter da Singularity University Brazil em Ribeirão Preto.

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Peter Diamandis quer que você consuma menos informação

Fundador e presidente da X Prize Foundation, o co-fundador da Singularity University e co-autor do best seller eleito pelo New York Times “Abundância: O Futuro É Melhor do Que Você Pensa”, Peter Diamandis participou do evento de lançamento do Learning Village.

André Costa, general manager da Vibra, empresa digital do Grupo Bandeirantes, entrevistou Diamandis e trazemos os highlights dessa conversa.

Adotar uma mentalidade orientada por prosperidade e abundância em cenários instáveis como o que vivemos é um tanto difícil. Como você acha possível mantermos esse mindset com ameaças de escassez tão presentes?

Peter Diamandis – É difícil manter um mindset positivo quando estamos sendo constantemente bombardeados pela mídia com notícias negativas. No meu trabalho na Singularity sempre digo que o seu mindset é um dos elementos mais importantes que você possui. Se você perguntar a caras como Jeff Bezos, Elon Musk e Steve Jobs, o que foi mais importante no início de suas carreiras, se o dinheiro, a tecnologia ou suas mentalidades; eles escolheriam a última opção. O mindset possibilitou o sucesso desses indivíduos.

Para mim, a maneira com que você nutre seu cérebro determina a constituição dos seus pensamentos. Então, se você permite que seu cérebro receba estímulos de notícias ruins a todo instante, seus pensamentos estarão repletos de medo. Violência, corrupção e assassinatos não são as únicas coisas que estão acontecendo no planeta. Também há uma quantidade incrível de coisas boas acontecendo a todo instante!

Se você quer moldar um mindset de abundância, precisa antes de mais nada estar atento ao que seu cérebro vem consumindo.

Como aplicar esse mindset de maneira prática, na rotina?

Peter Diamandis – É importante pensarmos na quantidade de informação que consumimos e se realmente precisamos consumir tudo isso. Eu acesso toda a informação relevante para meus objetivos em cerca de 10 minutos. Não permito que os veículos de comunicação infectem meu cérebro com tudo o que há de ruim acontecendo. Aprendo o que preciso aprender e foco meu tempo na busca por avanços que precisam ser realizados. Acredito que nossa guarda precisa estar alta para as informações que estão disponíveis.

Construí um produto que está acessível a qualquer pessoa que tenha interesse, de graça, que é o Future Loop. Trata-se de uma Inteligência Artificial que vasculha as notícias do mundo à procura de todos os avanços que estão ocorrendo nas indústrias de computação, IA, robótica, impressão 3D e outras tecnologias exponenciais, com um ponto de vista otimista. Checo todos os dias, leio e isso formula meus pensamentos.

Você pode conhecer mellhor a Future Loop neste vídeo.

Outro ponto de atenção deve ser: com quem você se relaciona? Se você convive com pessoas muito pessimistas, é essa a maneira que você acabará vendo o mundo. No entanto, se você se cercar de membros de comunidades como a Singularity, cheios de insights, pessoas empolgadas sobre o futuro, novas tecnologias, isso terá um impacto tremendo em você. A isso se soma o que efetivamente entra no seu corpo e como você cuida dele. Boa alimentação, exercícios físicos regulares, uma boa qualidade de sono e se rodear de pessoas com visões de mundo semelhantes às suas, isso é crucial.

Pensando em modelos educacionais, você acha que o que praticamos hoje está à altura dos desafios a serem enfrentados?

Peter Diamandis – Toda a educação, da infância, passando pelo ensino fundamental até a faculdade foi construída há centenas de anos. Você terminava a graduação e o mundo mudava vagarosamente, portanto seu aprendizado tinha aplicabilidade por muitos anos ainda. Cento e cinquenta anos atrás, a expectativa de vida média era de 40 anos. Você se formava e sua educação te acompanhava por duas décadas até que você morresse. Hoje, isso é muito diferente. O mundo muda na velocidade das tecnologias, então é importante que a gente caia na realidade de que não dá para continuarmos educando da maneira que era antes do advento dessas tecnologias.

Para começo de conversa, a educação não acaba quando você se gradua. A educação deve ser uma busca vitalícia. É necessário se atualizar e se aprimorar constantemente. Acho que todos precisam determinar como continuarão a se educar.

Uma da grandes transformações que está em curso é a inteligência artificial e acho que as pessoas realmente não fazem ideia do quaõ importante a IA será. Brinco que haverão dois tipos de empresas em 2030: as que estarão totalmente integradas à inteligência artificial e as que estarão fora do mercado.

Então, como você enquanto líder, CEO, empreendedor está realmente enxergando a inteligência artificial? Você está dando aplicabilidade a ela? De que maneira? Essas mudanças não virão em vinte anos, em trinta anos, elas ocorrerão nesta década. Então precisamos nos educar constantemente, sem medo do futuro.

Como a educação e a inteligência artificial contribuirão com a longevidade?

Não fomos desenvolvidos para viver mais que 30 anos. Atualmente, estamos entendendo o software e hardware dos nossos corpos, como evitar doenças e como estender nossos períodos de saúde. Há muitas pontes a serem construídas para que avanços ocorram, mas há coisas básicas que podemos seguir: dormir oito horas por dia, por exemplo. Foi cientificamente comprovado que nossos cérebros evoluíram com oito horas de sono. Outro ponto chave é evitar as grandes quantidades de carboidrato e açúcar, a humanidade nunca lidou com essa quantia de carboidrato e açúcar. Cortar o exagero no consumo desses itens já contribui muito com sua longevidade. Os músculos também são muito importantes nessa busca. Isso é o que pode ser feito no curto prazo, por todos.

No que se refere ao longo prazo, meu próximo livro abordará essa temática. Há uma infinidade de tecnologias chegando com o propósito de vivermos mais e melhor. Estou bastante otimista.

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Revolução Tecnológica e a Sustentabilidade do Agronegócio

Não é de hoje que discussões envolvendo o crescimento populacional global, o aumento da renda per capita e a elevação na idade média da população estejam em pauta nas mais diversas organizações em todo o mundo. Esses três fatores são os principais propulsores para o aumento significativo da demanda global por alimentos e energia nos próximos anos.

A FAO estima que até 2050, quando a população global deverá atingir 9,7 bilhões de pessoas, haverá uma demanda adicional de 50% na produção de alimentos e energia, o que cria grandes desafios frente ao volume de recursos necessários para se produzir alimento que supra tamanha demanda.

O desenvolvimento sustentável tem sido o caminho adotado por organizações de diversos setores nesse contexto, no qual modelos de desempenho como o ESG – sigla de Environmental (Ambiente), Social (Social) e Corporate Governance (Governança Corporativa) – tem se tornado cada vez mais frequentes.

No agronegócio, setor primordial para produção de alimentos, fibras e bioenergia, o desenvolvimento científico e tecnológico é, indiscutivelmente, o caminho para aumentar a eficiência no campo, reduzir a dependência de recursos e garantir a preservação do meio-ambiente.

Nesse cenário, o Brasil já mostrou “o porquê” de estar se tornando o principal fornecedor sustentável de agro-produtos em nível global. O nosso país ocupa a liderança na produção de diversas culturas, ao passo em que mantém 66,3% das florestas preservadas, das quais 25,6% se encontram dentro das propriedades rurais – segundo a Embrapa.

Outro grande exemplo está relacionado ao aumento da eficiência no campo, afinal, nos últimos 40 anos (1977 a 2017), o setor registrou um aumento de 575% em sua produção de grãos, sendo que a produtividade cresceu 274%, enquanto que a área plantada apenas 80%.

Esses resultados só foram possíveis graças aos relevantes investimentos em ciência, pesquisa e desenvolvimento em prol do setor, que se deram por meio da criação de instituições de pesquisa públicas, como a Embrapa, e privadas, visando o desenvolvimento e a extensão rural. Esses feitos possibilitaram a ascensão no melhoramento genético de plantas, o surgimento de novos cultivares e a criação de sistemas de produção integrados e sustentáveis.

O avanço científico e o incentivo a criação de tecnologias continuarão sendo impulsionadores da sustentabilidade da atividade agropecuária: em suma, estamos falando em aplicar a inovação para “produzir mais em uma mesma área”.

Dessa forma, termos como “Agricultura Digital” ou “Agricultura 4.0” ecoam cada vez mais no mercado, trazendo a concepção de uma verdadeira revolução tecnológica nos mais diferentes elos das cadeias produtivas. Esses conceitos estão geralmente atrelados à inclusão de diferentes modelos de tecnologias na produção, como a inteligência artificial, sensores, análise ampla de dados (ou big data), segurança cibernética e compartilhamento de conteúdo em nuvem.

As informações, sejam do clima, de economia ou agronômicas, devem se tornar o principal insumo dos produtores para tomada de decisão mais assertiva na busca pelo aumento da eficiência, expansão das margens e posicionamento competitivo.

Por esse motivo, muitas iniciativas têm emergido nos últimos anos, com foco na criação de produtos e soluções inovadores para o setor. As “AgTechs”, ou startups do agronegócio, tem se desenvolvido, principalmente, próximas de regiões produtoras ou de instituições de pesquisa reconhecidas pela atuação no agro, como é o caso do Instituto Agronômico de Campinas (Campinas – SP), e da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” – ESALQ/USP (Piracicaba – SP), formando amplos ecossistemas de inovação com os mais diversos perfis de agentes.

Atualmente, segundo o Radar AgTech Brasil 2019, existem 1125 startups do agronegócio no Brasil, com atuação nos mais diversos elos produtivos.

Softwares de gestão, sistemas de inteligência, equipamentos de sensoriamento remoto, aplicativos de informações técnicas, sistemas de inteligência e produtos à base de organismos biológicos – são algumas das principais soluções oferecidas pelas AgTechs brasileiras, e que seguem em linha com o contexto de orientação pela demanda.

A tendência é que a administração das atividades agropecuárias passa a ser feita, majoritariamente, sob a visão de “gestão de m²”, onde esse conjunto de tecnologias ajudará a resolver problemas pontuais do campo, e de forma precisa.

Em 2021, a ONU estima que o mercado de soluções para agricultura digital deverá movimentar mais de 15 bilhões de dólares em todo o mundo. O Brasil terá grande participação nesse cenário, e é por isso que precisamos nos dedicar diariamente para promover iniciativas, impulsionar debates e estimular conexões entre organizações públicas e privadas e profissionais que integram o setor.

A depender desses esforços, resultados ainda mais relevantes poderão ser vistos em curto espaço de tempo, nos consolidando de vez como modelo de desenvolvimento sustentável no agronegócio global.

Marcos Fava Neves é Professor Titular (em tempo parcial) das Faculdades de Administração da USP em Ribeirão Preto e da EAESP/FGV em São Paulo, especialista em planejamento estratégico do agronegócio.
Vinícius Cambaúva é consultor na Markestrat Group, formado em Engenharia Agronômica pela FCAV/UNESP.
Vitor Nardini Marques é consultor associado na Markestrat Group com formação em Engenharia Agronômica pela ESALQ/USP.

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Por uma cultura a favor da Cidade Humana

Impossível avançar sem antes pactuar com o leitor algumas definições. Trago para esse artigo o conceito de Cidade Humana derivado do trabalho de pesquisa do Instituto Paulista de Cidades Criativas e Identidades Culturais (IPCCIC), resultado de cinco anos de atividade de campo, com visitas a cidades de todo o Brasil.

O grupo foge ao reducionismo, por isso, apregoa que uma Cidade Humana é aquela que (1) coloca o ser humano em primeiro lugar; (2) forma cidadãos cocriadores; (3) fortalece o sentido de comunidade; (4) religa o ser humano ao meio ambiente; (5) fomenta a economia cocriadora e (6) educa em suas múltiplas formas. Desses seis passos, os pesquisadores ramificam para modelos e arriscam, nessa fase do trabalho, a apresentar trilhas de saberes para a obtenção dos resultados propostos[1].

Para definir cultura, conceito polissêmico que desfila por muitos campos, trago como referência o trabalho do chileno Humberto Maturana, para quem “uma cultura é uma rede fechada de conversações.”[2] E, a partir dessa assertiva, acrescento, “conduta cultural é a configuração comportamental que, adquirida ontogeneticamente na dinâmica comunicativa de um meio social, é estável através de gerações.”[3]

Com isso, assevero que, para avançarmos rumo à Cidade Humana, teremos que propiciar o surgimento de uma cultura que a reivindique coletivamente. E tal tarefa não será possível, sem que criemos novas redes de conversações vinculadas a cada um dos passos descritos acima.

Para colocar o ser humano em primeiro lugar é fundamental desconstruir redes de conversações que estabelecem padrões culturais, como por exemplo, “o homem pode mais do que a mulher”; ou, “raça superior e raça inferior”; ou ainda, uma rede bem conhecida, “o mundo é dos espertos”.

Nessa mesma linha, para formar cidadãos cocriadores temos que rever redes de conversações que enrijecem as relações entre direitos e deveres, dando ao primeiro, sobreposição quanto ao segundo. Ou, permitir a propagação da rede de conversação “jeitinho brasileiro”, enaltecendo a malandragem.

Para interiorizar o sentido de comunidade em um cidadão, seguindo essa lógica, é basal criar novas redes de conversações que desconstruam redes antigas que levaram ao individualismo.

No caso do passo quatro rumo à Cidade Humana, religar o ser humano ao meio ambiente, a criação de uma nova cultura não é uma opção, mas a única possibilidade. As redes de conversações a serem desativadas a favor de novas, são muitas. Partem da noção de finito até a exacerbação do consumo e, essa, segue atrelada à economia cocriadora.

Já o sexto passo, educar em suas múltiplas formas, se apresenta como base para a criação de novas redes de conversações e apresentações de padrões recuperados de cultura. Como em um círculo que não para de se mover, em uma cadeia de ações e reações, a Cidade Humana somente se viabilizará quando for consolidada culturalmente como uma rede de conversação comum da ampla humanidade.

Adriana Silva é educomunicadora com Pós-Doutorado em Educação e pesquisadora do IPCCIC.

[1] IPCCIC, Seis Passos para a Cidade Humana. Editora Estação das Letras e Cores, São Paulo, 2019. 

[2] Maturana, Humberto; Verden-zoller, Gerda. Amar e Brincar – Fundamentos Esquecidos do Humano. Editora Palas Athena, São Paulo, 2015.

[3] Maturana, Humberto; Varela, Francisco. A Árvore do Conhecimento – as bases biológicas da compreensão humana. Editora Palas Athena, São Paulo, 2011.

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Você já ouviu falar sobre Human Design?

Pode parecer estranho, mas um termo que até bem pouco tempo atrás soava como algo novo, agora já se tornou velho: O tal do “Mundo Vulca”.

Aquele acrônimo de palavras em inglês, e que traduz todas as questões relacionadas ao mundo em vivemos hoje – Volatilidade (Volatility), Incerteza (Uncertainty), Complexidade (complexity) e Ambiguidade (Ambiguity) – foi intensamente materializado e vivido por nós, agora em 2020, em dos períodos mais desafiadores da nossa história recente.

E este foi um ano, onde de fato, fomos instigados a conviver de uma forma mais intensa com a tecnologia e com o mundo digital. E por isso, muitas empresas elegeram o COVID-19 como o maior propulsor de inovações dentro de suas estruturas operacionais.

Mas, se já tínhamos a sensação de que a automação e a inteligência artificial já iriam modificar intensamente a nossa forma de trabalhar, agora nós temos certeza! A sensação que temos é que o mundo com o qual convivíamos, está colapsando ao nosso redor.

Mas será que toda esta instabilidade, não seria também um convite para transformarmos as nossas vidas, diminuindo a nossa subserviência em relação a tudo que acontece ao nosso redor?

Acredite, esta pode ser a nossa grande chance de redesenharmos as nossas jornadas.

E este redesign de nossas vidas, ou o Human Design, está diretamente relacionado ao modo pelo qual transformamos o nosso modo de vivenciar o mundo, o nosso trabalho e o modo de ‘ganharmos’ as nossas vidas.

E esta mudança só se torna possível se investimos em um conhecimento mais alinhado a filosofia, a ciência e o design. Esta tríade pode garantir a nós, seres humanos, um melhor posicionamento frente aos próximos anos… (ou seriam meses?)

Dizer que as s pessoas precisam começar a entender, hoje, sobre programação, criptomoedas, segurança digital e inteligência artificial pode parecer um daqueles conselhos daqueles difíceis de serem seguidos. As escolas não nos ensinam como pensar o mundo sob a perspectiva das tecnologias exponenciais, o que pode se tornar um grande desastre em pouco tempo. Nem mesmo os mais jovens, que apesar de usarem smartphones e tablets desde muito cedo, apresentam uma proficiência digital capaz de entender a amplitude de impacto da tecnologia em suas vidas.

Boa parte da população tem um modelo mental que ainda limita este tipo de aprendizagem, inibindo qualquer movimento de empoderamento em relação a estas novas tecnologias.

Mas filosofia e o design podem ajudar neste sentido, ativando uma nova visão do mundo, da tecnologia e das oportunidades que se abrem neste novo século. A tecnologia pode se tornar uma forma de aprimorar a condição humana, ao invés exercer este papel tão excludente, opressor e amedrontador na vida de muitos.

Mas a decisão é nossa.

Como já dizia Alan Toffer, escritor e futurista americano, “Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não podem aprender, desaprender e aprender.”

Permita-se reconfigurar-se. Este é um direto seu, e por isso, não deixe de vivencia-lo. Já!

Vinicius Debian é empreendedor e Vanguardista Digital. Fundador da NEIL Change Makers, uma empresa de consultoria e treinamentos que se dedica a ajudar, pessoas e empresas, a enfrentarem os desafios de suas vidas e de seus negócios, por meio de uma mentalidade mais ética e digital.

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Inovação aberta: como começar a transformação digital na sua empresa

Muitas empresas têm percebido a necessidade de inovar, mas a maioria se perdem ainda no ¨como¨ iniciar o processo de inovação.

Independente do segmento de mercado, está cada vez mais claro para todos que as empresas tradicionais precisam se reinventar, senão perderão fatia relevante de mercado ou deixarão de existir.

Inovar não significa necessariamente ¨matar¨ modelos de negócios anteriores. A inovação pode ser incremental, ou seja, trazer uma melhoria em um processo, tecnologia, produto ou serviço que já existe. Ou pode ser disruptiva, mais drástica, que traga algo completamente novo e torne inviável a continuação do modelo de negócio no formato anterior, como o que ocorreu com o modelo de locação de filmes da Blockbuster, que faliu, com o lançamento do Netflix.

Ressalte-se que os dois modelos de inovação, incremental e disruptiva, são altamente relevantes para conduzir nossa sociedade para um futuro mais promissor e para uma melhor experiência dos clientes nos mais diversos segmentos de mercado.

No que se refere à inovação dentro das empresas, uma das melhores formas de iniciar um processo de inovação em uma empresa tradicional é a Inovação Aberta ou Open Innovation. A Inovação Aberta é um termo abrangente criado por Henry Chesbrough, professor e diretor executivo no Centro de Inovação Aberta da Universidade de Berkeley e chairman do Centro de Open Innovation – Brasil.

Veja abaixo o quadro comparativo da Inovação Fechada e Inovação Aberta:

Entre as grandes vantagens da Inovação Aberta estão o contato com grande número de stakeholders que podem trazer soluções inimagináveis apenas pelo time interno, a possibilidade de criar novos modelos de negócios e de fonte de receitas, além de spin offs de novos produtos com fornecedores ou parceiros que possam agregar know how e tecnologias já em fase mais madura de implantação ou até mesmo co-criar novas soluções em colaboração, unindo times externos com o time interno da empresa.

Outro ponto de grande valia na Inovação Aberta é abertura para uma nova cultura, pois esse tipo de inovação promove contatos entre diversos players como especialistas, consultores, universidades, startups, empresas de tecnologia, o que faz com que a empresa âncora interaja constantemente com outros tipos de gestão e perceba que é possível mudar a forma de gerir, medir e executar tarefas.

Dentro desse contexto da Inovação Aberta o mais importante é que todos os envolvidos tenham o máximo possível de humildade para entenderam que a linha mestra é a co-criação, que nenhum dos atores dessa jornada deve se entender como ¨dono da razão¨, pois todos aprenderão dentro desse processo através de experimentos e validações em conjunto.

Lembrando que é essencial entender bem o mercado que se pretende alcançar e o perfil do consumidor antes de lançar o produto ou novo serviço co-criado, para isso vale muito refletir sobre os perfis de personas dentro da curva de adoção de novas tecnologias, conforme abaixo:

Por fim, é super importante enfatizar que não existe regra para uma processo de inovação, assim como o objetivo a que ele se propõe, que é criar e aplicar nossas ideias, o processo de inovação em si também precisa de ser compreendido como um modelo de aprendizado constante, com o máximo possível de testes, experimentos, feedbacks e reformulações, para que não seja estático e burocrático, para não correr o risco de perder a sua essência.

Luma Boa Ventura é especialista em Transformação Digital e Inovação no MIT, Membro do Time de Liderança do Chapter de Betim da SingularityU, Co-fundadora da empresa AI ROBOTS de Inteligência Artificial para Indústria 4.0, Consultora de AI Transformation na Kunumi e de Inovação Aberta no MOVX.

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O carro elétrico que está vendendo como água na China

Embora muitos setores da economia tenham sofrido enormes perdas durante a pandemia do coronavírus, alguns estão bem. Um deles é a venda de carros. É um tanto contra intuitivo – já que com tudo fechado, não há urgência para esse tipo de aquisição – mas cavando um pouco mais fundo, existem algumas razões lógicas pelas quais muitas pessoas podem querer investir dinheiro em um automóvel.

Com todos presos em casa, as pessoas têm economizado mais renda disponível do que nunca, então o dinheiro está aí e pronto para ser utilizado. Para aqueles que ainda precisam de empréstimo, as taxas de juros estão em níveis mínimos históricos. As viagens rodoviárias e as viagens domésticas substituíram amplamente os voos e as viagens internacionais.

Os carros com motor a combustão ainda dominam o mercado, respondendo por 97% das vendas globais de carros até 2019. Na China, porém, os carros elétricos estão no páreo com carros a gasolina – um em particular, o Wuling Hong Guang Mini EV. Lançado no final de julho, o Hong Guang gerou mais de 15.000 pedidos em 20 dias de lançamento e acumulou outros 35.000 no mês seguinte. Com um total de 50.000 pedidos em menos de dois meses, superou rapidamente os pedidos chineses de Tesla Model 3s no mesmo período.

Então, por que os motoristas chineses estão tão ansiosos para gastar seu suado dinheiro neste carro minúsculo?

Para começar, não é tão caro quanto os outros carros. O modelo simples do Hong Guang sai por 28.800 yuans (cerca de US $ 4.200 pelas taxas de câmbio atuais). Isso é menos de um décimo do custo de um Tesla Model 3 (291.800 yuan). Claro, você está comprando um carro muito diferente com o seu dinheiro, mas os consumidores chineses parecem estar bem com isso, especialmente porque o miniveículo elétrico atende a muitas necessidades práticas para se locomover em grandes cidades.

Ele não tem exatamente a aparência futurista e elegante que você esperaria de um carro novo, com um design optando por uma forma quadrada para tentar maximizar – e simultaneamente minimizar – o espaço disponível. A GM comercializa o carro como “pequeno por fora, grande por dentro”. Tem 9,5 pés de comprimento por 4,9 pés de largura e 5,3 pés de altura. Isso é comparável ao Smart Fortwo da Mercedes e ideal para se espremer em vagas de estacionamento apertadas em ruas movimentadas da cidade. O carro possui 12 compartimentos de armazenamento diferentes na cabine, incluindo uma bandeja para smartphone no painel.

Interior do Hong Guang

Sua velocidade máxima é de 100 quilômetros por hora, o que não é rápido o suficiente para viagens longas em rodovias, mas funciona muito bem para se mover em uma cidade e seus arredores. Os motoristas podem percorrer cerca de 160 km com uma única carga e podem monitorar e controlar as funções da bateria do carro em um aplicativo de smartphone.

Se as vendas começarem bem, provavelmente ficarão ainda mais fortes; A joint venture chinesa da GM está planejando abrir cerca de 100 “lojas de experiência” na China para continuar a promover o veículo.

Embora a pandemia tenha afetado o crescimento da classe média da China – ela segue crescendo, o que significa que milhões de pessoas a mais por ano têm meios de adquirir bens como carros. É importante que os carros elétricos, sejam Tesla Model 3s ou Wuling Hong Guangs, continuem a dominar mais essa fatia de mercado; dado o estado da crise climática, colocar mais milhões de carros com motor de combustão nas estradas em um país já muito poluído seria contraproducente.

Esperançosamente, quando a pandemia arrefecer, as pessoas voltarão a usar o transporte público. Mas, enquanto isso, se tivermos que comprar carros, eles podem ser pequenos, práticos e elétricos.

Texto originalmente publicado pela Singularity Hub.

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A Microsoft colocou seus servidores debaixo d’água – e funcionou!

Há pouco mais de dois anos, um cilindro do tamanho de um contêiner de transporte com o nome e o logotipo da Microsoft foi colocado no fundo do oceano na costa norte da Escócia. Dentro havia 864 servidores, e sua submersão fazia parte da segunda fase do Projeto Natick da gigante do software. Lançado em 2015, o objetivo do projeto é determinar a viabilidade de centros de dados subaquáticos alimentados por energia renovável offshore.

Alguns meses atrás, os servidores de alto mar foram trazidos de volta à superfície para que os engenheiros pudessem inspecioná-los e avaliar seu desempenho enquanto estavam submersos.

Mas espera – por que eles estavam lá, pra começo de conversa?

Por mais bizarro que pareça afundar centenas de servidores no oceano, na verdade existem várias boas razões para fazer isso. De acordo com a ONU, cerca de 40 por cento da população mundial vive a cerca de 90 quilômetros de um oceano. À medida que a conectividade com a Internet se expande para cobrir a maior parte do globo nos próximos anos, mais alguns milhões de pessoas ficarão on-line e muito mais servidores serão necessários para gerenciar o aumento da demanda e dos dados que irão gerar.

Em cidades densamente povoadas, os imóveis são caros e podem ser difíceis de encontrar. Mas sabe onde há muito espaço vazio e barato? No fundo do oceano. Este local também traz o benefício adicional de ser muito frio (isto é, dependendo de onde estamos falando; se você estiver olhando para a costa de, digamos, Mumbai ou Abu Dhabi, as águas estão mais quentes).

Os servidores geram muito calor e os datacenters usam a maior parte da eletricidade para resfriamento. Manter constantes não apenas a temperatura, mas também o nível de umidade é importante para o funcionamento ideal dos servidores; nenhum deles varia muito 30 metros abaixo da água.

E, finalmente, instalar data centers no fundo do oceano é, surpreendentemente, muito mais rápido do que em terra. A Microsoft afirma que seus cilindros de servidor levarão menos de 90 dias para ir da fábrica à operação, nada mal em comparação com a média de dois anos que leva para colocar um data center terrestre em funcionamento.

A equipe de Projetos Especiais da Microsoft operou o data center subaquático por dois anos, e levou um dia inteiro para desenterrá-lo e trazê-lo à superfície. Uma das primeiras coisas que os pesquisadores fizeram foi inserir tubos de ensaio no recipiente para coletar amostras do ar de dentro; eles vão usá-lo para tentar determinar como os gases liberados do equipamento podem ter impactado o ambiente operacional dos servidores.

O contêiner foi preenchido com nitrogênio seco após a implantação, o que parece ter criado um ambiente muito melhor do que o oxigênio pelo qual os servidores terrestres normalmente estão rodeados; a taxa de falha dos servidores na água foi apenas um oitavo da taxa típica da Microsoft para seus servidores em terra. A equipe acha que a atmosfera de nitrogênio foi útil porque é menos corrosiva que o oxigênio. O fato de nenhum ser humano ter entrado no contêiner durante todas as suas operações também ajudou (nada de mover os componentes, acender as luzes ou ajustar a temperatura).

Ben Cutler, gerente de projetos do grupo de pesquisa de Projetos Especiais da Microsoft que lidera o Projeto Natick, acredita que os resultados desta fase do projeto são suficientes para mostrar que vale a pena perseguir os data centers subaquáticos. “Estamos agora a ponto de tentar aproveitar o que fizemos em vez de sentir a necessidade de provar um pouco mais”, disse ele.

Cutler prevê colocar datacenters subaquáticos perto de parques eólicos offshore para alimentá-los de forma sustentável. Os data centers do futuro exigirão menos envolvimento humano, podendo ser gerenciados e operados principalmente por tecnologias como robótica e IA. Nesse tipo de datacenter “apagado”, os servidores seriam trocados cerca de uma vez a cada cinco anos.

A etapa final nesta fase do Projeto Natick é reciclar todos os componentes usados ​​para o data center subaquático, incluindo o vaso de pressão de aço, trocadores de calor e os próprios servidores – e restaurar o fundo do mar onde o cilindro voltou à sua condição original .

Se o otimismo de Cutler é um presságio do que está por vir, pode não demorar muito para que o fundo do oceano esteja repleto de datacenters sustentáveis ​​para alimentar nossa dependência cada vez maior de nossos telefones e da Internet.

Texto originalmente publicado pela Singularity Hub.

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O Uber quer se tornar totalmente elétrico até 2030, mas não será fácil

A pandemia de coronavírus tem sido um pesadelo geral, mas existem alguns aspectos positivos. Um deles é um foco renovado no meio ambiente. As emissões despencaram em todo o mundo quando os países entraram em quarentena e lockdown, e as cidades desde então vêm implementando novas medidas para reduzir a poluição e tornar as pessoas mais ativas e ambientalmente conscientes.

Seguindo a tendência, o líder do mercado de compartilhamento de veículos Uber anunciou recentemente que fará a transição para uma frota de carros 100% elétricos até 2030. Lyft, seu principal concorrente, fez um anúncio semelhante em junho. O compromisso das empresas que estão pegando carona em políticas verdes está ligado à pandemia? Não está claro; mas elas provavelmente teriam implementado essa mudança em algum momento no futuro próximo de qualquer maneira, e a pandemia pode simplesmente ter acelerado o processo (como aconteceu com outras tecnologias e tendências, como automação e trabalho remoto).

A pandemia não foi boa para o Uber; para começar, ninguém realmente ia a lugar nenhum nos últimos meses. Quando as pessoas se aventuravam para fora de suas casas – ansiosas e inquietas, vestindo o mesmo moletom que usaram durante toda a semana – optavam por métodos de transporte que minimizavam o contato com outras pessoas e com superfícies potencialmente cobertas de germes; andar a pé, de bicicleta e dirigir o próprio carro eram as preferências. O Uber implementou protocolos de segurança, incluindo a exigência de que motoristas e passageiros usem máscaras o tempo todo, mas os negócios ainda sofreram um grande impacto.

A empresa está focada em um futuro melhor e não dependente de combustíveis fósseis. É uma coisa boa, porque o modelo de compartilhamento de carona realmente causa mais poluição do que dirigir o próprio carro. Quando você dirige sozinho a algum lugar, chega lá e desliga o carro; em outras palavras, o carro só funciona quando você o usa para ir do ponto A ao ponto B. Mas Ubers e Lyfts correm constantemente – eles o deixam e depois circulam por um tempo até que possam pegar outro passageiro ou ficam parados esperando que uma notificação chegue. Um estudo de fevereiro deste ano descobriu que viagens de carona causam até 69% mais poluição climática do que as viagens que deslocam.

Isso é ruim não apenas para o meio ambiente, mas também para o futuro das empresas de transporte de passageiros. Então, aqui está a solução do Uber: ele planeja ser uma plataforma de emissões zero até 2040 e ter 100% de suas viagens nos EUA, Canadá e Europa em carros elétricos até 2030.

Esses objetivos são muito bons, mas não sem complicações. Para começar, não é o Uber que possui seus carros, mas sim seus motoristas. Isso significa que quem quiser ganhar algum dinheiro ao dirigir para o Uber – e quem dirige em regime de tempo integral – terá que comprar seus próprios carros elétricos. Prevê-se que o custo dos carros elétricos cairá abaixo dos carros a gás até 2022, e eles serão mais baratos de comprar e operar no longo prazo, mas por enquanto, eles ainda exigem um desembolso inicial de dinheiro significativamente maior.

Para uma empresa que não tem um histórico brilhante por tratar bem seus funcionários (ela lutou com unhas e dentes para não ter que dar benefícios aos seus motoristas em vez de contratá-los como contratados independentes), pode ser muito pedir para os motoristas desembolsarem alguns milhares de dólares extras para ajudar a cumprir uma meta com a qual podem não se importar. Antecipando isso, o Uber diz que destinou US $ 800 milhões para ajudar na transição de seus motoristas para veículos elétricos. Em um acordo com a General Motors, os motoristas do Uber podem obter os preços dos funcionários em novos Chevy Bolts (além de um desconto de US $ 8.500 oferecido a todos os compradores). O Uber também está lançando incentivos adicionais para que os motoristas se eletrizem, como receber um dólar a mais por cada viagem em um carro elétrico (no Canadá e nos EUA apenas).

Mesmo que esses incentivos sejam suficientes para convencer os motoristas a comprarem um carro elétrico, os desafios não param por aí. Os motoristas terão que encontrar lugares para carregar seus veículos, o que é mais complicado do que abastecer em um posto de gasolina, especialmente se você não mora em um lugar onde pode simplesmente passar um cabo de extensão de sua casa até o carro.

Considerando o quão onipresentes o Uber e outros serviços de compartilhamento de caronas se tornaram, é engraçado pensar que eles nem existiam há dez anos. Lembra-se de pisar na rua e jogar o braço no ar para chamar um táxi? A ideia de ser capaz de convocar um passeio personalizado a qualquer hora e em qualquer lugar usando um computador de mão poderoso, mas minúsculo, era nada menos do que inconcebível naquela época.

O compromisso do Uber de se tornar totalmente elétrico até 2030 é uma meta elevada. Mas 10 anos é um longo caminho a percorrer e muita coisa poderia acontecer durante esse tempo. Talvez os motoristas estejam mais dispostos do que pensamos a gastar algum dinheiro extra em um veículo plug-in. Ou talvez, daqui a dez anos, tenhamos um método de transporte totalmente novo que não tem nada a ver com o Uber – um que, a partir de 2020, talvez seja nada menos do que inconcebível agora.

Texto originalmente publicado pela Singularity Hub.